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Sexta-feira, 22.05.15 às 00:09 / Atualizado em 22.05.15 às 00:09

Literatura une jovens mulheres

Graziela Delalibera
Divulgação Grupo Maria vai com as outras
Isabela, Julia, Mayara, Anna Cláudia e Mariana: no jogo com a expressão popular que dá nome ao grupo, o “Maria vai com as outras” ganha o sentido de irmandade feminina

Elas são engajadas e refletem sobre questões sociais. Também falam de amor, sexo, balada, e de sentimentos inerentes ao ser humano, como a angústia e o medo. Desde fevereiro, cinco jovens mulheres escritoras, quatro  de Rio Preto e uma de Mirassol, estão unidas no projeto "Maria Vai Com as Outras". Cada uma com suas peculiaridades, elas escolheram a literatura como forma de expressão e, agora, compartilham sua arte, que até então ficava restrita a blogs pessoais. 

Crônicas e poemas são levados ao público ilustrados por uma das integrantes do coletivo, a auxiliar de biblioteca Anna Claudia Magalhães, 25. O projeto nasceu a partir da iniciativa de Isabela Martinez, 24, que mantém o blog "Que a terra lhes seja leve..!", onde escreve poemas e prosa poética. "Em comum, todas escreviam em seus blogs pessoais, e existia uma admiração mútua", diz Isabela, que começou a escrever na adolescência e cursou faculdade de jornalismo. 

O lançamento do projeto "Maria Vai Com as Outras" foi realizado em março, com um sarau poético referente ao Dia Internacional da Mulher, no café cultural Cafezine. Na ocasião, além de declamar suas poesias, as integrantes produziram uma intervenção, composta por um varal de textos ilustrados. "Partimos da ideia de que a literatura abrange outros tipos de arte", diz Mariana Delphino, 29, autora do blog "Cérebro Nuvem". 

Formada em Letras, ela cursou faculdade com Anna Claudia, e a convidou para participar do grupo com suas ilustrações. Em seu próprio blog, "Um eu todo retorcido", Anna Claudia também escreve, em prosa e em versos. Antes do coletivo, ela fazia ilustrações sem compromisso, e gostou do desafio de traduzir com seus desenhos a arte das companheiras. A experiência com o projeto também lhe deu mais confiança para mostrar seus próprios textos. 

A primeira vez que isso aconteceu foi em março, no Sarau Urbano, evento que acontece uma vez por mês, no Centro Cultural Vasco. Anna Claudia declamou um poema chamado "Respeita as Mina", no qual fala de machismo e da condição da mulher na sociedade. A ideia do coletivo, inclusive, é descontextualizar a expressão popular "maria vai com as outras", colocando-a de forma positiva. 

Ou seja, a ideia de "ir com as outras" vem de uma decisão livre e consciente do poder da "sororidade" (conceito de irmandade feminina). "Uma coisa que sempre tenho colocado nas nossas reuniões é que precisamos refletir sobre as questões urgentes da sociedade, mas também que o 'Maria' sirva para a mulher falar sobre o que quiser, onde quiser e na hora que quiser", diz Mayara Ísis, 26, estudante de jornalismo, autora do blog "Curvas, fendas e delírios". 

Em um de seus poemas mais recentes, "Hey little sister", ela trata do feminismo negro. Também estudante de jornalismo, a "maria" Julia Caputi, 22, fala que o projeto fez com que recuperasse a essência de sua escrita, por produzir livremente e estar em união com outras mulheres. "No trabalho, não temos plena liberdade para exercer a escrita." No momento, o "Maria Vai Com as Outras" se prepara para lançar o projeto na internet. O projeto terá uma coluna semanal, com textos ilustrados, no site do Cafezine, que deve ser lançado em breve. Assim que entrar no ar, elas também criarão uma fanpage. 


Hey little sister

Autora: Mayara Ísis

(trecho)

Você fala em sororidade
mas tua fala não preenche
o meu vão
Paga de irmãzinha
mas de dieta e chapinha
me enche de sermão
Você diz que a luta
me empodera
Mas nega
que meu caminho difere
Por anos de resistência
e escravidão
Você conta com orgulho
do poliamor
a libertação
Mas oprimi a “tua irmã preta”
porque nessa pauta
desconhece da mulher negra a solidão

Hoje

Autora: Mariana Delphino

Ontem cruzei o rio a nado,
afogando-me em nóscegos.
Brilhando amor em olhos de gato,
banhei-me de paz.
Ontem acordei de um comaparaíso
dependurada na árvore
de cabeça para baixo, decapitada.
Afogada, queimei-me na paz.


Respeita as Mina

Autora: Anna Claudia Magalhães

(trecho)

Hoje eu vim aqui contar um segredo
Gostar de sexo e ser inteligente ao
mesmo tempo
Eu também consigo!
Cês falam: Fecha as pernas e vai abrir
um livro!
Opa! Pera aí, amigo...
Se eu abri as pernas, alguém entrou
Mas ninguém mandou o fulano ir lá ler
um pouquinho

Desmitificada

Autora: Isabela Martinez

Sigo sem nome
Pois em terra de falsetas
Serás nome neo-verdade
Não sou lorota, entenda
Penso só que se nomeia
o que por si se limita
Desmitificada
sem qualidade fixa
Animalesca com vida
Prefiro assim
Se vivo o mundo rotulado
Sigo sem dom politizado

julia racional

Autora: Julia Caputi

(trecho)

valorizo a melodia
composição com poesia
ódio seguido de alegria
até um pouco de orgia
só não me invade que eu não arrego
eu busco um equilíbrio
que não existe
só cansei de viver no limite
passo os dias iguais
sem reclamar
desde que eu possa parar
para contemplar
não tenho mais ressaca
paro antes da última virada
não sei se quero mais ficar mal
com a vida real

 

 


 

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