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Segunda-feira, 17.07.17 às 07:00

Mestre do horror político morre aos 77 anos

Luiz Carlos Merten - AE
Divulgação George A. Romero
George A. Romero fazia de seus filmes de terror uma alegoria sobre a política dos EUA

George A. Romero passou seus últimos anos desiludido com Hollywood. Tentava filmar, e não conseguia mais patrocínio - justamente ele, o pai dos filmes de zumbis. Não que os tenha inventado, porque já havia filmes de mortos-vivos nos anos 1940, mas não no seu estilo realista.

Ele inventou o zumbi moderno e quem hoje se impressiona com Walking Dead é porque não viu direito A Noite dos Mortos-Vivos, o clássico de Romero, de 1968.

Romero morreu neste domingo, 16, aos 77 anos, em Los Angeles, depois daquilo que sua família definiu como "uma severa batalha contra o câncer". No Dicionário de Cinema, Jean Tulard diz que A Noite dos Mortos-Vivos colocou Romero no interior do "restrito círculo dos mestres de horror". E acrescenta que ele conseguiu tornar verossímil a velha história de ressuscitados graças ao "contexto neorrealista".

Mais que de horror, o filme é 100% político. Nos seus mortos-vivos, Romero conseguiu metaforizar a luta por direitos civis na América dos anos 1960. Seu cinema foi sempre assim, político. E por isso ele criticava Hollywood.

"Quando fiz Terra dos Mortos, e foi meu filme mais caro, o dinheiro não estava na tela. Só os charutos que Dennis Hopper filmava no set e foram incorporados ao custo da produção saíram mais caro que todo A Noite dos Mortos-Vivos. Hollywood inflacionou-se a si mesma", reclamava.

Romero continuou historiando os EUA através dos mortos-vivos. The Hungry Wives (1973), Zombie, Despertar dos Mortos (1978), Day of the Dead (1986), Terra dos Mortos (2005) etc. A cada cinco ou dez anos ele voltava ao tema para, de alguma forma, refletir sobre o que se passava no país.

Como diretor, porém, não se limitou a contar histórias de zumbis. Incursionou pelo cinema de vampiros, mas Martin, de 1977, está mais para sátira social, embora seja puro 'gore'. Garoto de 17 anos pensa que é vampiro, mas como não tem caninos desenvolvidos usa lâminas de barbear para sangrar suas vítimas. E, como participa com frequência de um 'late show' na rádio de sua pequena cidade, vira a celebridade local.

E Romero não parou por aí - em Comando Assassino, de 1988, macaco treinado para ser guia de um tetraplégico arrasta esse último a uma espiral de violência.

Pior ainda - no sentido do horror -, foi seu experimento com o mestre italiano do 'giallo', Dario Argentino. Cada um dirigiu um episódio de Dois Olhos Satânicos, em 1990. No de Romero, O Caso do Sr. Waldemar, o cadáver de Harvey Keitel escapa do freezer para perseguir a mulher adúltera.

Para quem curtia tanto emoções violentas, Romero, segundo a família, morreu pacificamente, ouvindo sua trilha preferida - a do clássico Depois do Vendaval, de John Ford, com John Wayne e Maureen OHara, de 1952.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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