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Sexta-feira, 17.02.17 às 09:15

Dona Onete mostra 'Banzeiro' no Cine Joia

Julio Maria - AE
Aos 11 anos, Ionete Gama sabia o que queria. À beira do rio de Igará-Miri, onde passava férias, ela cantava Dalva de Oliveira e Dolores Duran para aqueles que consideraria seu primeiro público. Onete, como já era chamada, caprichava nos graves e suavizava os vibratos porque sabia que sua audiência era exigente. Quando atingia a vibração certa, eles começavam a surgir. Um, dois, três e logo estavam todos ali para ouvi-la. Os botos paraenses foram os primeiros fãs de Onete. De encantadora de botos, Onete passou a cantar em bares e casas noturnas e a desenvolver uma sensibilidade de criadora que lhe valeria para a vida. Aos 19 anos, veio o casamento e, com ele, foram-se os sonhos. Por 25 anos, o homem que deveria ser sua felicidade a afastou da música e dos palcos, mas lhe deu combustível emocional. Da tristeza, Onete fazia música. Um dia, a água furaria a pedra. Aos 77 anos, separada, mãe de três filhos, com uma lista de canções que nunca gravou, Dona Onete tem dois discos, está em fase de pré-lançamento de um DVD, faz shows que começam depois da meia-noite e será tema de um documentário. O repertório de Banzeiro, seu segundo álbum, será mostrado nesta meia-noite, 17, no Cine Joia. O show vai contar com músicas como É no Sabor do Beijo, Tipití, Rio das Flores e a faixa-título, Banzeiro. Do primeiro disco, Feitiço Caboclo (de 2012), entram Proposta Indecente, Amor Brejeiro, Poder da Sedução, Moreno Morenado, Feitiço Caboclo e Jamburana. Sua banda é formada pelo guitarrista e pesquisador musical Pio Lobato, seu produtor; o baterista Vovô, JP Cavalcante na percussão amazônica; Breno Oliveira no contrabaixo; e Daniel Serrão no teclado e sax. Está anunciada também a participação de Liniker. Onete diz que dorme cada vez menos. "O sono agora é pouco, acordo de madrugada, fico pensando no show que vou fazer." Músicas também podem chegar a qualquer momento, como se Onete quisesse engolir o mundo depois de 25 anos casada com alguém que habitava outro planeta. "Naquela época, joguei para o alto todos os meus sonhos." Sua atitude de enfrentamento dos padrões a colocou em destaque entre as mulheres em um tempo que ninguém falava em empoderamento feminino. "Eu coloquei muito daquela minha prisão nas minhas músicas." Com apenas dois discos, Onete segue a vida de uma artista de reverberação internacional. Já se apresentou na Inglaterra, Portugal (quatro vezes), França e Estados Unidos. O 'banzeiro' do disco é o nome do som das ondas dos rios provocado pelo movimento dos barcos. Antes de ser cantora, ela foi secretária de Cultura e professora de História e Estudos Paraenses em Belém. Acabou tomando também a liderança na organização de grupos de danças folclóricas e agremiações carnavalescas. A música de Banzeiro traz uma sensualidade e uma energia que não se restringem ao carimbó, o ritmo mais conhecido de sua terra. Ela prefere chamar o que faz de chamegado, pela natural incitação ao namoro que sua música pratica. "Não me importo de trabalhar tanto. Só o que eu quero é poder continuar levando essa música do meu Pará para as pessoas de outros lugares, mostrar o que tem meu Marajó, meu Igará-Miri. E eu te digo uma coisa: tudo o que eu faço, faço com um prazer enorme. Acho que é por isso que gostam de mim." Dona Onete Lançamento do disco Banzeiro. Sexta-feira (17), à meia-noite. Abertura da casa: 22h. Ingressos: de R$ 20 a R$ 60. Cine Joia: Praça Carlos Gomes, 82 As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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