Cidades

X
  • Domingo, 26 de Fevereiro
  • Insista, persista e nunca desista.
Cidades

Matéria

Sexta-feira, 17.02.17 às 00:00 / Atualizado em 16.02.17 às 22:24

Serroni, o cara do Carnaval de rua, já fez o tipo banquinho-violão

Allan de Abreu
Mara Sousa Vicente Serroni  -17022017

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do
Diario da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Mara Sousa Vicente Serroni  -17022017

A vida artística do rio-pretense Vicente Serroni, 64 anos, não se limita a plumas e paetês. Vez ou outra, o carnavalesco dá lugar ao compositor de MPB, no melhor estilo banquinho e violão. Serroni tem na bagagem mais de cem composições próprias. Já tocou muito em bares e festivais de música de Rio Preto, como os do Automóvel Clube. Chegou a gravar um compacto duplo no estúdio Vice-Versa, em São Paulo: de um lado, “Moleque da mãe”, seu maior sucesso; de outro, “Heróis e vilões”, do médico rio-pretense Altino Bessa Marques Filho. 

O auge viria em 1982, quando “Moleque da mãe” foi tocada no programa “Balancê”, da Rádio Globo. Ainda hoje dedilha o violão, mas em casa ou para os amigos. “Nunca deixei de tocar e compor”, afirma. A paixão pela música veio ainda na infância. O menino construiu um violão de madeira, improvisou arames como cordas e brincava de cantor. A mãe logo notou o gosto do filho. Juntou moedas em uma lata de óleo e, no seu aniversário de 13 anos, apareceu com um presente inesquecível para Serroni: um violão novinho, da marca Staccato.

Foi o impulso para que ele começasse a compor. A primeira música viria ainda aos 13 anos: “Olhos verdes”. A canção marcou sua estreia nos concursos musicais, aos 17 anos, quando participou de um festival realizado pelo colégio José Felício Miziara. Depois, mergulhou nas músicas de protesto, no embalo dos grandes festivais da TV Record (ele assistia a todos) e do sucesso de Geraldo Vandré. No início dos anos 70, o jovem decidiu mudar-se para São Paulo, onde seu irmão dois anos mais velho, J.C. Serroni, já morava, e onde faria sólida carreira na cenografia.

Na Capital, cursou comunicação social, mas não se adaptou à cidade. “Achei muito inóspita”, disse. Voltou a Rio Preto para trabalhar como revisor no jornal “Dia e Noite”, sob a batuta do repórter José Hamilton Ribeiro. “Foram dois anos de um aprendizado incrível.” Na imprensa, ainda teve passagens curtas como repórter na revista Veja e nos jornais “A Notícia” e Diário. “Sinto falta do ambiente de uma redação. Mas também entendo que meu tempo de jornalista já passou.”

Mas nem por isso, ressalva, ele deixou de escrever. Serroni também se arriscou na literatura, com um romance (“Merda dias melhores”) e um livro de crônicas inspiradas nos anos em que morou na Capital (“Encontros no metrô”). Atualmente prepara um terceiro, infanto-juvenil: “Os heróis do faz de conta”.

 

Arte - Vicente Serroni - 17022017

Carnaval

No Carnaval, Serroni é um herói da resistência. Graças a ele, os desfiles de Carnaval perduram ano após ano nas ruas de Rio Preto. Contra o improviso e a falta de verbas, muitas plumas e paetês. “É uma festa linda, que não pode morrer”, sentencia o carnavalesco, com autoridade. A paixão pelo Carnaval veio já na infância. O pai era um faz-tudo na escola Cardeal Leme, bem no Centro da cidade, onde hoje é o Fórum Criminal. Ele, os cinco irmãos e a mãe, dona de casa, moravam na escola. 

Nos anos 50 e 60, os desfiles viviam o auge em Rio Preto, com disputas acirradas entre as escolas do Grisi e do Nelson Batata. Nas noites de Carnaval, as escolas se exibiam pela rua Bernardino de Campos, ao lado da escola. O pai de Serroni, apaixonado por Carnaval, montava uma barraca com comida e bebida ao lado da Cardeal. “Quando acabava o desfile o bar lotava de pierrôs e colombinas, que ficavam cantando até o dia amanhecer. Eu era criança e ficava encantado com aquilo.”

A paixão se renovou no início da década de 80, quando ele se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar como assessor de marketing de uma fábrica de calçados. “Acompanhar os desfiles ao vivo foi uma sensação única.” No regresso a Rio Preto, estava decidido a fundar uma escola. Nascia, em 1982, a Império do Sol. Como não poderia deixar de ser, Serroni compôs o samba-enredo - ele seria o autor de 30 das 35 composições musicais da escola.

O irmão se encarregou da cenografia. O resultado não poderia ser melhor: no seu primeiro desfile, em 83, a Império do Sol foi a campeã. Viriam outros quatro títulos, um deles em 1998, quando a escola abordou as telenovelas. Neste ano, a crise econômica impediu os desfiles na cidade. Haverá apenas uma apresentação, na manhã de sábado de Carnaval, da chamada “ala show” da sua escola, a Império do Sol, na praça Rui Barbosa.

Mas ele não esmorece. O show deve continuar. Serroni reconhece que os desfiles já tiveram momentos melhores em Rio Preto - há anos a preferência dos jovens pende para as micaretas, que ele detesta. Mas o carnavalesco garante que os tradicionais desfiles têm um público cativo na cidade. “Se bem feitos, são atração turística”, prega. Mais resistência, impossível.

Com açúcar - Vicente Serroni se orgulha de ser um compositor nato. Nos seus cálculos, foram mais de cem músicas na carreira. Algumas fizeram sucesso nas noites rio-pretenses, como “Moleque da mãe”. “Essa não podia faltar nas minhas apresentações.”

Com pimenta - Diferente de Vicente, o irmão J.C. Serroni rompeu as fronteiras de Rio Preto para fazer sucesso nacional como cenógrafo e artista plástico, com trabalhos nas TVs Globo e Cultura, além do canal MTV. Mas, para o carnavalesco, essa comparação não incomoda. "É um orgulho saber que ele tem todo esse talento e reconhecimento. Premiadíssimo no Brasil e no exterior, é uma pessoa simples, receptiva e muito atenciosa, compartilhando sem nenhum problema de conhecimento com as pessoas."

 

Comentários

Recomendadas

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Facilite seu acesso agregando uma
conta de rede social ao seu perfil
Sexo
Confirme seu cadastro

Para acessar nossos conteúdos especiais é necessario que você ative seu cadastro.

Acesse seu e-mail e clique no link que lhe enviamos. Caso não tenha recebebido, digite abaixo seu e-mail.