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Quarta-feira, 22.03.17 às 00:00 / Atualizado em 21.03.17 às 22:16

Rio Preto cai sete posições em ranking de saneamento básico

Millena Grigoleti
Mara Sousa Clélio Marcos - 2032017
Clélio depende de poço artesiano de restaurante para beber água e do caminhão da Prefeitura para tomar banho. O esgoto é jogado por encanamento a céu aberto. Torneira do lado de fora da casa fica seca

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Mara Sousa Clélio Marcos - 2032017
Clélio depende de poço artesiano de restaurante para beber água e do caminhão da Prefeitura para tomar banho. O esgoto é jogado por encanamento a céu aberto. Torneira do lado de fora da casa fica seca

Rio Preto caiu da 16ª para a 23ª posição no Ranking do Saneamento entre 2016 e 2017. O estudo considera as 100 maiores cidades do País e é desenvolvido pelo Instituto Trata Brasil. Foi divulgado nesta semana, quando se comemora o Dia Mundial da Água, nesta quarta-feira, 22. O município apresentou piora nos indicadores de atendimento total e urbano de água e esgoto. A nota total caiu de 8,33 para 7,86 – a pontuação máxima seria dez, mas não foi atingida por nenhuma cidade. O único item em que Rio Preto tem nota máxima, com cem por cento, é o indicador de esgoto tratado por água consumida.

O levantamento leva em conta o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério das Cidades, de 2015. No Ranking de 2016, que mostrava Rio Preto em uma posição mais alta, foram levados em conta dados de 2014. Considerando-se a população utilizada na análise, de 442.548 moradores em Rio Preto em 2015, e a porcentagem de moradores sem saneamento básico, estima-se que 45,4 mil habitantes ainda não tenham água tratada e 31,8 mil não possuam esgoto tratado.

Caso de Clélio Marcos, pedreiro de 45 anos morador do loteamento Auferville 3. Vivendo no local há 12 anos, vai uma vez por semana pegar água em um restaurante que tem poço artesiano para beber e cozinhar. Para lavar roupa, tomar banho e limpar a casa depende do caminhão da Prefeitura que vai ao bairro três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, e enche a caixa. Se perder a visita, fica sem água. “Principalmente no final de semana”, afirma. O esgoto não é tratado. “Para onde é que está indo eu não sei.” Para ele, a situação tira a dignidade dos moradores. “É um transtorno. Sempre foi assim”, conta.

 

Eurípides Jerônimo Teixeira - 2032017 Eurípedes perto do poço que é mantido pelos próprios moradores

Eurípides Jerônimo Teixeira, aposentado de 73 anos, está no Auferville há cinco. Para ter água, os moradores se juntaram e puxam do poço artesiano feito quando o loteamento estava sendo construído. Transtorno é quando a bomba quebra: a manutenção pode chegar a R$ 1,5 mil e o valor é rateado entre 13 pessoas. As casas têm encanamento de esgoto, que vai parar a céu aberto, sem tratamento. “Solta na rua aqui e vai parar lá para baixo. Difícil”, diz Eurípides.

O geólogo Samir Barcha acredita que a causa da queda nos indicadores são os baixos investimentos feitos pelo Semae. “A falta de investimento suficiente impede o Semae de levar até lá”, afirma. “Na medida em que você reduz a oferta de água tratada, diminui o nível de saneamento. É uma situação piorada e isso significa perigo de saúde, qualidade de vida.”

O outro lado

O superintendente do Semae, Nicanor Batista Júnior, afirmou que todas as regiões legalizadas da cidade têm abastecimento de água e esgoto. “Os locais que ainda enfrentam problemas de saneamento são os bairros irregulares. Conforme vão sendo regularizados, vão recebendo os serviços”, disse. Júnior falou ainda que as despesas correntes da manutenção do Semae – pessoal, energia elétrica, serviço terceirizado, entre outras – consomem 90% da receita. “Os 10% restantes são investidos em obras para aumentar a oferta.” A reportagem procurou Ivani Vaz de Lima, superintendente do Semae à época considerada pelo estudo, em 2015, mas ela não respondeu às ligações e às mensagens.

 

Arte - Saneamento em Rio Preto - 22032017 clique na imagem para ampliar

Município desperdiça 30% da água

O Serviço Municipal de Água e Esgoto (Semae) informou em nota que produz por mês 4.040.000 metros cúbicos de água tratada. Desses, 30% são perdidos antes de chegar à torneira da população – um total de 1.212.000 metros cúbicos mensais. Segundo a autarquia, foi iniciado um Programa de Redução de Perdas com o objetivo de diminuir de 30% para 15% o desperdício. “O programa realiza a substituição de ramais, atua na modernização da rede de distribuição e faz a caça aos vazamentos e ‘gatos’, com a utilização de geofonamento”, disse o superintendente da autarquia, Nicanor Batista Júnior. De toda a água tratada no município, 49% vêm dos 278 poços do Aquífero Bauru. 

Outros 29% são originários da Estação de Tratamento de Água (ETA) e 21% dos oito poços profundos do Aquífero Guarani. “A quantidade é suficiente para abastecer os 430 mil moradores de Rio Preto, mais a população flutuante da cidade, que somados aproximam-se dos 500 mil habitantes”, garantiu o Semae. O rio-pretense gasta 140 litros acima do recomendado pela Organização das Nações Unidas (OMS) para atender as necessidades básicas de uma pessoa. O morador consome 250 litros diários, enquanto o ideal seriam 110. No Ranking do Saneamento 2017, a cidade com melhor saneamento básico é Franca, em São Paulo, com nota total de 9,52. Ananindeua, no Pará, ocupa a posição mais baixa no ranking, com 1,25 de nota.

 

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