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Domingo, 13.08.17 às 00:00

Polícias Civil e Militar na região sofrem com frota sucateada

Marco Antônio dos Santos
Mara Sousa 11/8/2017 VIATURAS-SUCATEADAS
Viaturas quebradas aguardam conserto em oficina particular no bairro Vivendas, em Rio Preto

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Mara Sousa 11/8/2017 VIATURAS-SUCATEADAS
Viaturas quebradas aguardam conserto em oficina particular no bairro Vivendas, em Rio Preto

Sucateada, a frota das polícias Militar e Civil da região de Rio Preto não é renovada há dois anos e chegou ao limite. Veículos antigos, alguns fabricados em 1990, sofrem com a falta de verba para manutenção, o que afeta diretamente o patrulhamento.

Não é raro policiais militares darem tranco em viatura com bateria fraca e investigadores da Polícia Civil pagarem do próprio bolso o conserto - alguns deles, que deram entrevista à reportagem sob a condição do anonimato, chegam a usar os próprios carros para atender ocorrências.

De acordo com dados obtidos pelo Diário com base na Lei de Acesso à Informação, a frota da Polícia Militar na região é composta por 240 carros para fazer o patrulhamento preventivo das ruas em 96 cidades. Praticamente metade destes veículos, 120, foi comprada há cinco anos, em 2012, e, portanto, estão no limite da vida útil. A última remessa foi de 41 veículos, em 2015. De janeiro de 2016 até o dia 11 deste mês, nenhum veículo novo foi acrescentado à frota.

O investimento em compra de viaturas caiu de R$ 5,4 milhões em 2012 para R$ 2,7 milhões em 2015, uma redução de 50%. E, em 2016, nenhum centavo foi gasto na região com novos veículos.

Por outro lado, a Secretaria de Segurança tem investido na compra de motocicletas, consideradas pela PM veículos mais econômicos e ágeis. Neste ano, foram compradas 57, mas apenas 8 foram enviadas para a região, no ano passado.

No caso da Polícia Civil, a frota na região é composta por 168 veículos. A maior compra ocorreu em 2012, quando foram adquiridas 53 viaturas. A última aquisição foi de 38 veículos, em 2015.

Raquel Galinatti Raquel Galinatti, presidente do Sindicato dos Policiais Civis

Carona

Em uma tarde de maio deste ano, dois policiais militares chegaram na Central de Flagrantes em Rio Preto para apresentar a recuperação de um carro furtado na zona norte da cidade. Os dois soldados chegaram de carona no caminhão guincho que levou o veículo até na delegacia porque a viatura que usavam havia quebrado.

"Infelizmente, a viatura não estava dando partida. Se não fosse o motorista do caminhão guincho, a gente não tinha como chegar", disse o policial militar, que preferiu não se identificar. A volta para asede da 1º Companhia da PM também foi de carona.

Na manhã de 7 de julho, dois policiais militares que acabaram de apresentar uma ocorrência, também na Central de Flagrantes, tentaram ligar o motor da viatura dando um tranco no motor enquanto desciam a avenida América, na Santa Cruz, porque o veículo estava com a bateria fraca. "Essa é a situação que o governo nos deixa para trabalhar. Já teve caso de só eu ir até o balcão da delegacia para apresentar a ocorrência porque o parceiro teve de ficar ao lado de fora. É que a porta da viatura não trancava e, se sumir alguma coisa, a responsabilidade é nossa", disse o policial.

O Diário apurou que a 1ª Companhia da Polícia Militar, no bairro Solo Sagrado, estaria com apenas quatro viaturas em perfeitas condições para fazer o patrulhamento de toda a zona norte, a mais populosa da cidade, com 200 mil habitantes e que tem o maior índice de criminalidade em Rio Preto.

O cotidiano de lidar com a frota precária também é vivenciado por quem trabalha na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde há duas viaturas paradas há meses por falta de verba para conserto.

"Eu mesmo tive de pegar R$ 300 do meu salário para consertar a viatura em que trabalho para continuar fazendo a ronda, senão a gente fica a pé", disse um policial civil que também preferiu não se identificar.

Uma das causas na demora do conserto das viaturas seria a burocracia para solicitar os reparos. Entre o envio do ofício, levantamento de orçamentos até a liberação do recurso, o tempo mínimo é de 30 dias de espera. Depois disso, ainda tem de aguardar o veículo ser devolvido pela oficina.

Nem o núcleo DIG e Dise (Delegacia de Investigações Gerais e Delegacia de Investigações Sobre Entorpercentes) escapa da precarização da frota. Há viaturas paradas há seis meses por falta de verba para comprar peças avariadas.

frota_polícias Clique na imagem para ampliar

Criminalidade

Enquanto os números da frota de veículo das duas polícias permanecem estáticos, os índices de criminalidade fazem uma curva para cima. Os registros de roubo de carga na região subiram de oito no primeiro semestre de 2012 para 15 no primeiro semestre de 2017. Os latrocínios aumentaram de três, em 12 meses de 2016, para seis em apenas seis meses de 2017.

Balconista de padaria no bairro Solo Sagrado, Leandro de Jesus Silva, de 23 anos, também diz que não é todo dia que se vê patrulhamento pelo bairro. "Tem dias em que a gente vê algumas, mas em outros, nenhuma. Está na cara que está faltando viaturas aqui na zona norte", afirma.

Em um dos locais que dá para perceber o abandono da frota é o pátio da Central de Flagrantes de Rio Preto, onde estão parados há meses quatro carros quebrados. Sem previsão de manutenção ou conserto, o provável destino das veículos quebrados será o leilão de sucatas da Polícia Civil.

Veículos ficam até seis meses parados

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Rio Preto, Waldir Uchoa, afirma que a falta de verbas tem deixado viaturas até seis meses paradas. "Para não ficar sem atender as ocorrências, o pessoal dirige a viatura mesmo com pneus carecas e com problemas nos freios para não deixar a população sem atendimento", afirma o presidente.

Segundo Uchoa, não são raros os casos em que é preciso usar carga elétrica da bateria de uma viatura para a bateria de outro veículo que não consegue mais dar partida.

Há ocorrências em que os policiais, delegados e investigadores usam seus próprios carros para fazer investigações, o que não é aconselhável por questão de segurança, afirma o sindicalista.

"Nas cidades pequenas, os policiais pedem ajuda para vereadores e prefeitos para pagar a conta do conserto das viaturas. Há casos em que as prefeituras doam carros para a polícia, mas isso tem sido cada vez mais difícil", afirma.

Waldir diz que a deteriorização dos carros poderia ser evitada se fossem respeitados os prazos de garantia das peças e tempo de manutenção, mas devido ao alto volume de trabalho, nem sempre dá para tirar o veículo de serviço para levar para as oficinas autorizadas.

Ele pondera que a situação em Rio Preto é uma das menos piores no Estado porque a delegacia seccional não é uma das que mais demoram para liberar verba para manutenção.

Contingenciamento

A presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, Raquel Kobashi Gallinati, afirma que a situação crítica da frota da Polícia Civil pode piorar porque, segundo ela, a Secretaria Estadual de Segurança Pública estuda racionalizar os gastos com manutenção de veículo.

A prova seria um comunicado distribuído há 15 dias pelo delegado-geral adjunto de Polícia Civil, Waldir Antonio Covino Junior, em que ele recomenda aos diretores dos Deinters planejar metas de racionamento de recursos, uma vez que a verba anual estaria próxima do fim.

"Para terminar o ano seriam necessários mais R$ 34 milhões, mas o secretário Magino Alves só fez uma liberação emergencial de R$ 4 milhões, o que dá para pouco tempo. O que vai acontecer é que os policiais serão obrigados a diminuir as despesas com manutenção das viaturas. Se o veículo quebrar, vai ficar parado, à espera de nova liberação de recursos, mas ninguém tem essa previsão", afirma a presidente.

O drama se repete em todo o Estado. Na região de Campinas, a redução da frota obrigou os policiais a ampliar o policiamento a pé.

Análise

A situação das viaturas das polícias civil e militar na região de Rio Preto demonstra a dissonância entre o discurso do governador Geraldo Alckmin e a realidade. Falta investimento em infraestrutura policial. Ter viaturas em boas condições de uso é básico para Polícia Militar, por exemplo, que faz um trabalho fundamental de patrulhamento 24 horas nas ruas.

É um risco andar em alta velocidade, em perseguição de um bandido, com um carro que não passa sempre por manutenção, porque numa manobra mais brusca, ele pode perder o controle da direção, sofrer um acidente e morrer.

A população deve procurar os deputados eleitos pela região e cobrar um posicionamento deles. A região de Rio Preto conta com um senador eleito, Aloisio Nunes. Teoricamente, tem poder para pressionar pelo envio de mais viaturas para região.

Rafael da Silveira é doutor em administração da Fundação Getúlio Vargas e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

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