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Sábado, 12.08.17 às 00:00

Lar Santa Clara inaugura novo prédio para acolher pacientes

Millena Grigoleti
Mara Sousa 11/8/2017 JACI_7254_WEB
Gabriel mora há 11 anos no Lar Santa Clara, onde quer ficar para sempre. Ele está gostando da nova casa inaugurada nesta sexta

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Mara Sousa 11/8/2017 JACI_7254_WEB
Gabriel mora há 11 anos no Lar Santa Clara, onde quer ficar para sempre. Ele está gostando da nova casa inaugurada nesta sexta

Há 11 anos, a casa de Gabriel Florencia Lossavaro fica no Lar Santa Clara, em Jaci. Nesta sexta-feira, 11, ele se mudou para um imóvel maior e que pode abrigar mais amigos. “Estou achando um espetáculo”, definiu o rapaz de 24 anos. Ele conta que chegou à chácara onde antes funcionava o Lar aos 13, ainda criança. Nunca tinha morado no campo, mas acabou se acostumando e gostou. O pai adoeceu e não pode mais cuidar do filho, que tem deficiência intelectual leve, mas sempre visitava Gabriel, até falecer.

Gabriel foi alfabetizado e passa o dia na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). Seu desejo é ficar no Santa Clara para sempre. “Eu gosto, eu amo. Tenho 25 amigos”, comemora.

O Lar atende homens com deficiência intelectual leve ou moderada. Hoje são 26 moradores com idades entre 13 e 36 anos. Além dos moradores fixos que dependem de cuidados, o Lar também acolhe homens temporariamente, por seis meses, até que se estabilizem. Com o novo espaço, pode atender até 60 pacientes.

A maioria chega ao local por abandono da família, às vezes vindos de outras instituições. Apenas um, de 24 anos, portador de uma esclerose que atinge o cérebro, tem vínculo familiar – a mãe precisou do auxílio pois o rapaz havia se tornado agressivo e a machucava. Ela visita o filho pelo menos a cada 15 dias e acabou adotando também todos os outros pacientes. Um dos moradores sequer tinha sobrenome, e foram os funcionários que o batizaram.

O Lar Santa Clara faz parte da Associação São Francisco de Assis, que teve início na região e hoje atende pacientes em locais como Rio de Janeiro e Amazonas. O novo prédio foi construído no Centro de Jaci, junto ao hospital e ao Polo de Atenção Integral à Saúde Mental. O espaço tem 16 quartos com banheiro, sala de assistência social, sala de reunião, espaço de convivência, consultório, sala de administração e rouparia. O governo estadual repassa R$ 432 mil anuais para manutenção do Lar e contribuiu com R$ 500 mil na construção do no prédio.

JACI_7272_WEB Maria Zilda, cozinheira do Lar, com o filho de coração Ezequiel, 19 anos. Abandonado pela mãe, ele perguntou se a cozinheira poderia ser sua “mãe de verdade”

Mãe de verdade

Quem também é mãe de coração é Maria Zilda Caboclo de Souza, 54 anos, cozinheira do Lar. Ela adotou Ezequiel de Jesus dos Santos, 19. “Quando eu cheguei ele disse: ‘eu queria uma mãe de verdade. Você quer ser minha mãe de verdade?’. Eu falei ‘eu quero’.” O menino a presenteia com flores e diz que ela é a mais especial do mundo. “Eu gosto do lar, gosto de todo mundo. Gosto da minha mãe”, diz.

Durante a inauguração da nova casa, os moradores cantaram a música “Como é grande meu amor por você”, de Roberto Carlos. Gabriel foi o flautista e Ezequiel um dos cantores. “Me emocionei quando começou a cantar lá em cima”, diz Maria Zilda.

Amor é o que não falta para a equipe. “A gente só permanece por amor. É árduo”, diz a irmã Paulina Rodrigues. “Nós temos em média quatro monitores, um técnico de enfermagem, enfermeira, religiosa que sou eu, equipe técnica pela manhã ou tarde. À noite são dois técnicos de enfermagem”, enumera. A equipe integrada é composta de assistente social, psicólogo, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psiquiatra, além dos religiosos.

A qualidade de vida é garantida também por atividades pedagógicas que ensinam sobre os dias, espaço e horas, além de atividades como a música.

Ana Carolina Covizzi, psicóloga e coordenadora do Lar, diz que parte dos moradores são aptos a fazerem as atividades do dia a dia. “Outros necessitam de auxílio. A maioria fala, anda, outros frequentam projetos lá fora.” A chácara onde moravam, segundo ela, não atendia às necessidades porque era necessário se deslocar à cidade para passeios, atendimento médico e escola, na APAE.

O frei Francisco Belotti, que está à frente do Lar São Francisco, destaca a importância do novo espaço. “Não tínhamos a estrutura que nós queríamos. Aqui tem toda a retaguarda do hospital, raio-X, laboratório, centro cirúrgico.”

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