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Quinta-feira, 18.05.17 às 00:00 / Atualizado em 17.05.17 às 22:24

Infecção generalizada já matou 207 neste ano

Millena Grigoleti
Guilherme Baffi Willian Forte da Silva - 18052017
Willian mostra implante coclear que teve após sepse. Ele ficou surdo, mas corria o risco de perder a visão e o movimento das pernas

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Guilherme Baffi Willian Forte da Silva - 18052017
Willian mostra implante coclear que teve após sepse. Ele ficou surdo, mas corria o risco de perder a visão e o movimento das pernas

De janeiro a março de 2017 morreram na região de Rio Preto pelo menos 207 pessoas vitimizadas pela sepse, popularmente conhecida como infecção generalizada. A sepse é doença grave que afeta funções do organismo. No mesmo período foram internadas 375 pessoas com o problema e a taxa de mortalidade ficou em 55,2%. O número pode ser ainda maior, porque são comuns casos de pacientes que morrem pela sepse após contrair a infecção no hospital, mas esta não é a causa oficial da internação.

Os dados são do Datasus, banco de dados do Sistema Único de Saúde. A maior parte dos pacientes foi internada e morreu em Catanduva, onde existe um centro de referência para tratamento de queimaduras. De acordo com Fernando Augusto Bozza, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e especialista em sepse, crianças pequenas, idosos, pacientes com deficiências no sistema imunológico, quem passou por grandes cirurgias ou traumas estão mais sujeitos à infecção generalizada.

A doença pode ser contraída de duas maneiras, comunitária ou no hospital. No primeiro caso o paciente já chega para tratamento com o problema, como apendicite, que pode evoluir para um quadro mais grave. Fernando afirma que a sepse afeta diferentes órgãos, embora os primeiros sintomas normalmente tenham relação com o local onde o problema se iniciou. “O paciente com pneumonia pode apresentar outras manifestações, como confusão mental, alterações da pressão arterial e da coagulação”, diz.

Uma das maneiras de prevenir as complicações é a abordagem precoce. Segundo Fernando, no Brasil muitos hospitais demoram para diagnosticar o problema e as pessoas não são tratadas no início. “O que faz com que as taxas de mortalidade sejam altas. Cada hora de atraso no tratamento conta. O ideal é o paciente receber antibióticos na primeira hora após o diagnóstico.”

O médico diz que falta de recursos e organização também levam a óbitos e que pesquisas internacionais mostram que a taxa de mortalidade mundial é em torno de 35% dos internados. No Brasil sobe para 50%. No mundo, 35% dos doentes terão alguma sequela por conta da doença. “Alguns estudos que estão sendo feitos nesse momento apontam que pode chegar a 60% dos sobreviventes”, fala.

 

Arte - Infecção generalizada - 18052017 Clique na imagem para ampliar

Perdeu a audição

Willian Forte da Silva, 33 anos, funcionário de uma empresa de saneamento, mora em Palestina e foi internado no início de janeiro do ano passado com meningite, mas acabou tendo sepse. Por causa da doença, perdeu completamente a audição dos dois ouvidos. “Não tenho mais os mesmos prazeres, como ouvir música”, lamenta.

Ele consegue se comunicar graças a um implante coclear. “Isso me possibilita até trabalhar, no entanto é bem cansativo, já que tem que fazer esforço para entender. E isso só com leitura labial.” Durante a internação, Willian ficou inconsciente e teve episódios de delírio. Correu o risco de, por causa da infecção, ficar cego e paraplégico.

“ Muito difícil enxergar porque meu lado esquerdo foi paralisado, minha visão ficou embaçada, meu rosto ficou torto, repuxado para o lado esquerdo. No hospital, passei por fisioterapia”, lembra. Até hoje, seu caso é acompanhado pelo hospital. “Espero seguir em frente, cabeça erguida, com fé em Deus. Sou muito grato por estar vivo.”

Agilidade

O pesquisador da Fiocruz defende intervenções já na UTI para minimizar as sequelas da infecção generalizada, como reconhecimento precoce da doença, antibiótico e terapia. “A gente vem estudando alguns medicamentos que podem proteger o cérebro e testando tipos de reabilitação que incluem treinamento cognitivo utilizando jogos eletrônicos”, fala.

As sequelas podem ser de ordem motora, dificultando os movimentos, ou afetar a fala, audição e visão. Aparecem ainda as neuropsicológicas, como depressão, ansiedade e alterações cognitivas semelhantes aos casos de demência por Mal de Alzheimer.

Fatal

Núria Fagundes de Souza, 21 anos, era estudante de enfermagem e morava em Santa Fé do Sul. Morreu no início de abril no Hospital de Base de Rio Preto. Antes disso, apresentou início de infecção de garganta, febre, dor de cabeça, vômitos e perda da consciência. Na declaração de óbito, constam septicemia e pneumonia.

Seminário em Rio Preto debate a doença

Com o objetivo de debater a sepse, acontece nesta quinta-feira, 18, um seminário em Rio Preto, que também abordará consequências da doença, mortalidade, qualidade de vida e cognição.b O evento faz parte do Ciclo de Seminários promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, em parceria com o Hospital de Base.

O seminário será ministrado por Fernando Augusto Bozza, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). As principais linhas de pesquisa são sepse e inflamação sistêmica, disfunção cerebral aguda, dengue e pneumonias. “Vamos falar sobre o que acontece após o paciente deixar a UTI, as consequências da sepse, como evitar sequelas e como isso afetará a qualidade de vida”, afirma.

As bactérias são os maiores causadores da sepse. “Algumas são resistentes a todos os antibióticos ou mesmo à maioria dos antibióticos e isso decorre de múltiplos fatores”, diz Bozza. Um deles é o uso indiscriminado desses remédios. A recomendação é tomar só com prescrição médica e não utilizar sem critério nos animais, pois isso dissemina a resistência dos micro-organismos.

Os próximos seminários do Ciclo da Famerp e do HB estão marcados para junho e agosto e os temas ainda serão definidos. O encontro de hoje é aberto para toda a comunidade do hospital e da faculdade. Não é necessário fazer inscrição. A palestra começa às 10h30 no Anfiteatro Fleury.

 

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