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Sábado, 20.05.17 às 00:00 / Atualizado em 19.05.17 às 21:40

Ielar nega prédio e Prefeitura não tem onde colocar 982 crianças

Millena Grigoleti
Johnny Torres Gláucia com o filhos Fernando e Lucas - 20052017
Gláucia com o filhos Fernando e Lucas: crianças são atendidas por creche do Ielar, que deixa de funcionar

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Johnny Torres Gláucia com o filhos Fernando e Lucas - 20052017
Gláucia com o filhos Fernando e Lucas: crianças são atendidas por creche do Ielar, que deixa de funcionar

A Prefeitura de Rio Preto tem 12 dias para encaixar 982 crianças e adolescentes com idades entre três meses e 17 anos em sua rede de creches e projetos sociais. É que em 31 de maio termina o aviso prévio de 100 funcionários do Ielar, encerrando assim os serviços prestados pela entidade. O aviso prévio aos funcionários foi dado no dia 8 de maio. Por lei, quando demitida a pessoa pode optar entre sair uma semana antes do vencimento de 30 dias ou trabalhar duas horas menos diariamente. 

No caso do Ielar, os demitidos ficaram com a primeira opção. Isso encurtou em uma semana o tempo da Prefeitura para arrumar uma solução. Quando percebeu que não teria tempo suficiente para resolver o problema, o município tentou esticar por mais trinta dias a manutenção dos funcionários, o que o Ielar considerou inviável. “Imagine a situação: a administração faz 100 rescisões trabalhistas, aí rasga todas e faz de novo daqui um mês.

O pessoal do administrativo me comprovou que seria inviável”, diz Eder Fasanelli, advogado da entidade. A prorrogação não impediria o fim do Ielar. “O clima de tristeza de todo mundo aqui é grande demais”, afirma Eder. Segundo ele, houve choro na reunião em que se decidiu que os projetos chegariam de fato ao fim por falta de recursos.

A segunda tentativa da prefeitura foi continuar usando o prédio do Ielar, mas com funcionários da Prefeitura. Também não houve acordo. Segundo a entidade, o imóvel está comprometido por dívidas e agora pode ser penhorado devido às questões trabalhistas, que segundo o advogado são prioridade.

“Não há dinheiro para pagar os direitos de todos os funcionários no momento. Se existisse a gente não estava fechando o hospital.” Amanda Oliveira, diretora dos projetos e da creche do Ielar, ainda revela-se inconformada. “É fácil para uma mesa decidir em votação o destino de pessoas que necessitam tanto do trabalho que desenvolvíamos. Certamente não viveram o que minha família e a dessas crianças vivem”, afirma.

O outro lado

A Secretaria Municipal de Educação informou em nota que, junto com a Secretaria de Assistência Social, está finalizando estudos para definir as unidades para onde serão transferidos os assistidos em projetos e na creche do Ielar que funcionam no prédio da Vila Mayor. Desde o início do impasse, o poder público afirma que as crianças e adolescentes não ficarão desassistidos.

“Só estarão sob responsabilidade da Prefeitura os projetos previstos nos convênios”, informou no texto. Na prática, só continuarão a receber atendimento as 982 crianças atendidas por quatro convênios. Outras 900 são atendidos em programas com recursos próprios do Ielar . “Vamos tentar parcerias com iniciativas privadas.” Assim, deixam de existir os programas As Valquírias, Marcenaria Escola, Empreendedorismo Artesanal, Escolinha de Futsal e cursos e atendimento à comunidade e moradores de rua.

Mães lamentam fim de creche

As mães de crianças que dependem do Ielar não sabem o que farão. Caso de Glaucia Regina de Souza Minga, operadora de máquina de 30 anos. Os filhos Guilherme (10 anos), Fernando (3 anos) e Lucas (10 meses) frequentam a creche e projetos sociais. “Eu já estou de cabelo em pé, desesperada. Não tenho onde deixar e com quem. O vínculo que eles têm aqui, o conforto, a atenção, nós não sabemos se em outro lugar vão ter isso”, afirma.

As irmãs Mynara Fidelis Pinheiro, 24 anos, e Nahuara Fidelis Pinheiro, 21 anos, vendedoras, têm filhos na creche e nos projeto. “Na Secretaria de Educação, eles não dão posição nenhuma para a gente, e as escolas que eu vi não têm vaga”, conta Mynara. “A gente vai lá e eles falam que vão mandar para outra escola, mas não falam onde nem quando”, afirma Nahuara.

Indaía Fernanda Ramos, vendedora de 34 anos, é mãe de Manuella, de um ano e onze meses, que está na creche. “Você pode chegar lá a qualquer momento e conversar, levar os remédios que elas dão na hora certinha. Minha filhinha se comporta bem, aprendeu a comer sozinha, bastante coisa que eu não consigo ensinar em casa”, afirma.

Fernanda da Silva Pinho, auxiliar de produção de 23 anos, é mãe de Ana Lívia, de 3 anos, aluna do Iscei. Para ela, a creche representa tudo. “Eu cresci lá. Minha adolescência foi muito difícil, eles sempre me ajudaram. Minha filha cresceu lá, vai desde o berçário. Eu trabalho e confio em deixar-la alí”, afirma.

Entenda a crise

  • O Ielar tem dois projetos sociais e de educação: o Mundo Novo (no Eldorado e no Solo Sagrado) e o Instituto Sócio Cultural e Esportivo Ielar (Iscei), que fica na Vila Mayor
  • Juntos, atendem aproximadamente 1,9 mil crianças e adolescentes com idades entre três meses e 17 anos
  • 112 crianças de creche com convênio
  • 870 crianças e adolescentes de projetos sociais com convênios
  • 900 crianças e adolescentes de projetos sociais sem convênio
  • O impedimento do Ielar começou por causa da lei federal 13.019, que entrou em vigor neste ano e impede que entidades do terceiro setor com contas irregulares junto ao Tribunal de Contas do Estado firmem parcerias com o poder público. É o caso do Ielar, que tem contas irregulares de 2010 e 2011
  • Por isso, como não pode receber verba aprovada em lei municipal, o hospital fechou as portas desde 29 de março.
  • As parcerias da entidade nesses setores eram com as Secretarias de Saúde e Assistência Social. 
  • Por mês, de acordo com a Prefeitura, eram repassados R$ 227 mil para quatro convênios, que começam a vencer em junho deste ano.
  • De acordo com o Ielar, a entidade bancava uma contrapartida de R$ 47 mil mensais em média para cobrir as despesas que não eram custeadas pelos convênios, como contratação de alguns profissionais, água e luz.
  • A demissão dos funcionários foi determinada pelas pastas que coordenam os convênios.

 

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