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Matéria

Domingo, 13.08.17 às 00:00

Conheça histórias de pais que se entregam ao universo de seus filhos

Nany Fadil
Mara Sousa 10/8/2017 diego e filhos
Diogo e os filhos gêmeos, Matheus e Mariana, de 2 anos e cinco meses

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Mara Sousa 10/8/2017 diego e filhos
Diogo e os filhos gêmeos, Matheus e Mariana, de 2 anos e cinco meses

Pai é aquele que volta a ser criança para brincar de carrinho. É aquele que aprende a brincar de boneca e casinha. Pai é a pessoa que não se importa de ir para o trabalho com as unhas “esmaltadas”. Pai é um homem grande, forte e lindo, ainda que não passe de um metro e sessenta e tenha uma barriga protuberante. Pai é quem faz os olhos brilharem e tira gargalhadas ao fazer “brummm” na barriguinha.

Pai consegue parar um choro com apenas um abraço. Pai é aquele que é exemplo de caráter, de bondade e preocupação com o outro e com o meio ambiente. Pai perde as mãos diante das palmadas e tem uma voz firme ao dizer não. É alguém que erra, quem não erra? Aceita e se desculpa.

Pai é quem chega exausto e irritado, deixa tudo de lado, para dedicar meia hora de atenção ao filho. É quem entende que não existe sucesso se for apenas fora de casa. Pai sabe trocar fralda, dar banho, papinha e colocar para dormir. É o colo que mostra que a vida não é fácil, mas é o bem maior, feita de sonhos, esperanças e realizações. Pai não é quem gera, é quem zela. O Diário traz hoje histórias de diferentes pais que, em comum, são pais. Pai é pai.

Rogério e filhos Rogério anda de skate com os filhos Kevin e Davy; o mais velho, Bruno, estuda em São Paulo

Rogério é pai de três, um deles presente de Deus

“Ele tem tamanha confiança em mim que quando começa a chorar, eu o pego nos braços e ele se acalma e fica quietinho”, diz o skatista profissional Rogério Troy, pai de Bruno, 18, Kevin, 12, e Davy, 6. O mais novo nasceu com síndrome de Patau, um acidente genético, como classificam os especialistas, que provoca problemas cardíacos, neurológicos e motores.

“É um presente que Deus nos deu, um anjo que ele colocou em nossas vidas. Depois que Davy nasceu eu parei de beber e de fumar, a vida ganhou um sentido diferente.”

Ele sempre foi muito presente na vida dos filhos, ensinou os mais velhos a andar de skate e coloca o menininho sobre o objeto e o empurra. “O Davy adora sentir o vento batendo no rosto, ele fica alegre, feliz”, diz.

Troy é o tipo de pai amigo, aquele que os filhos procuram para tirar dúvidas, ouvir conselhos. Bruno queria se tornar skatista profissional, mas o pai disse que ele vai estudar primeiro. Tanto que o garoto está morando em São Paulo onde faz cursinho pré-vestibular.

“Ele me liga e diz: ‘Papai, estou morrendo de saudade de você’, e aí sou eu quem fica com o coração apertado de saudades do meu filho.”

Kevin é o braço direito do skatista, está ao lado dele para tudo e inclusive ajuda quando o irmão mais novo precisa. O menino está apaixonado por futebol e o pai o leva nos campinhos e fica vendo o filho jogando. “Eu não gosto de futebol, mas eu amo estar ao lado dele”. Diariamente, Troy leva o filho à escola, participa das reuniões de pais e conversa com os professores.

“Ontem (quarta-feira, dia 9), a professora veio falar que o Kevin está muito disperso, não presta atenção na aula e tirou uma nota vermelha. Já disse que vai ficar uns dias sem andar de bicicleta, sem jogar bola e também não vai ver a namoradinha no fim de semana. Não bato, porque não acredito que eduque, mas dou castigo para ele perceber que está errado e mudar de atitude”, afirma.

A proximidade com os garotos é tanta que o filho do meio costuma dizer que o pai é pegajoso, fica 24 horas em cima dos filhos. “Fico triste quando ele diz que sou pegajoso, quero ser um pai presente, uma referência para os meus filhos.”

Todos os dias, o skatista e a mulher, Érica, 33, vão até a Santa Casa para levar Davy para as sessões de fisioterapia, uma das formas de tratamento da síndrome, que é incurável, e, geralmente, impede que a criança sobreviva. “A maioria dos bebês que nasce com a síndrome morre nas primeiras semanas de vida. O Davy já está com seis anos e vamos ter ele por muitos mais anos. É uma benção de Deus”, considera. “Acho que sou para o meu filho 5% do que Deus é para nós, seus filhos”, completa.

Além dos filhos biológicos, Troy “cuida” de outras crianças. É que por intermédio do skate tenta levar até adolescentes um esporte saudável, conceitos de vida e religiosidade. “Tento colocar Deus no coração desses jovens para que eles, que serão o futuro do País, sejam pessoas melhores no futuro.” 

Diogo e os filhos gêmeos Diogo e os filhos gêmeos, Matheus e Mariana, de dois anos e cinco meses

Diogo vive a alegria em dobro

“Te amo, papai. Mamãe, o papai chegou. É assim todos os dias e eu agradeço a Deus por ter me dado os meus filhos”, conta o técnico em manutenção de elevadores Diogo Gonçalves de Lima, 31, pai dos gêmeos Matheus e Mariana, de dois anos e cinco meses.

O que pode parecer trabalho dobrado, para ele é alegria em dobro. “Eu não sei se ter gêmeos dá mais trabalho, como algumas pessoas perguntam. Sei que é fantástico”, afirma.

Brincar de esconde-esconde, pega-pega, boneca, carrinho, levar as crianças para fazer castelinhos na areia, deixar que passem batom em sua boca, todo o tempo que tem disponível, Diogo dedica aos filhos. “É um prazer para mim, não é exaustivo”, diz.
Quando precisa, também rola uma bronca. “Nunca levantei as mãos contra eles e nunca vou levantar, falo um pouco mais alto para que entendam que aquilo é errado. Mas se começam a chorar, me quebram o coração”, diz.

Os cuidados com os gêmeos são compartilhados com a mulher, Dayse. Desde que nasceram, o técnico aprendeu a dar banho, trocar fraldas, alimentar. Não é só das brincadeiras que ele participa. “Sempre prezei por essa coisa de cuidar mesmo, colocar para dormir, ensinar a escovar os dentinhos, cozinhar para todos quando minha mulher cansada, dividimos as tarefas. Lá na frente sei que eles vão colher o que ficou em suas cabecinhas, uma família boa, sem brigas, carinhosa”, afirma.

Ele conta ainda que os irmãos são muito companheiros, estão sempre juntos. Quando um nota que o outro não está por perto, já para, e vai atrás do irmãozinho. “É até engraçado. É como se acendesse uma luzinha e lá vai um procurar o outro.”

Diogo diz que ele a mulher, Dayse, se programaram para serem pais. Ela tentou durante 20 horas o parto humanizado e ele esteve o tempo todo ao seu lado, mas não foi possível.

Assim que as crianças nasceram, Dayse largou o emprego para se dedicar à criação dos bebês, como já haviam definido antes. “Não queríamos que nossos filhos fossem para uma creche com quatro meses de vida, não acreditamos que seja o melhor”, diz.
Apesar de a família só contar com o salário do técnico, eles preferem assim. “Nem quando soubemos que seriam gêmeos fiquei assustado, fiquei encantado.”

Wilde e Ísis Wilde e Ísis brincam, desenham, ouvem música; eles fazem tudo juntos

Wilde é pai em tempo integral

“Nunca achei que ser um pai presente é uma honra, que mereça qualquer reconhecimento a mais, não estou fazendo nada mais do que a minha obrigação de ser pai”, diz o multiartista Wilde Arruda, 41 anos, pai “de alma”, como ele define, de Aline e pai biológico de Ísis Abayoni, 9.

Quando ele e a ex-mulher Karina se separaram, combinaram que a prioridade seriam as meninas e que ele participaria diariamente do crescimento e desenvolvimento de Ísis.

Todas as manhãs, a filha vai para a casa do artista e fica com ele. Eles brincam, desenham, pintam, leem, ouvem música, tudo juntos. Depois de preparar o almoço e comerem, pai e filha vão a pé até a escola em que ela estuda. No fim do dia, ela volta para a casa dele, que é também um estúdio e espaço cultural, e depois vai para a casa da mãe. Nos fins de semana, quando Karina precisa viajar ou mesmo nas noites em que ela tem que sair, a filha fica com o pai. “Quando o assunto é minha filha eu sempre estou de sobreaviso”, diz.

Como ele trabalha com diferentes formas de arte, pode ficar com as filhas. Quando era casado, era Karina quem saia para trabalhar enquanto Wilde cuidava das meninas. Sabe lavar e passar roupas, limpar a casa, fazer comida. “Ela que buscava o sustento da família e eu cuidava da casa e das crianças”, conta.

Foi ele quem deu as primeiras papinhas, trocava fraldas, dava banhos. É que até os dois anos de idade, Ísis foi cuidada exclusivamente dentro de casa, não foi para creche ou escolinha. “Participei desse processo intensamente, não foi de mentirinha.”
Um ano depois que Wilde e Karina foram morar juntos, o pai biológico de Aline morreu e ele passou a ser a referência paterna para a menina. “Eu que a levava para passear de bicicleta, brincávamos e pintávamos juntos, ela é minha filha de coração e alma e foi quem me preparou para ser o pai de Ísis”, considera.

Além dos momentos de descontração ao lado de Ísis, Wilde adora ir buscar a filha na escola. Na volta, eles conversam como foi o dia dela. “Focamos na qualidade do tempo que passamos juntos. Gosto muito de falar de valores para ela, é minha responsabilidade e papel, além de o de ter uma boa conduta porque isso é ensinar, é exemplo”.

A garotinha adora acompanhar o pai. Andam de bicicleta, vão ao teatro, saraus de poesia, biblioteca, livrarias, shows e na ioga. Wilde cita uma música do Marcelo D2 em que parte da letra diz: eu me desenvolvo e evoluo com meu filho. “Também sou educado pelas minhas filhas. Aline é um universo e Ísis, outro. A gente aprende muito se se permitir, a mente muda, elas me dão injeção de ânimo e me colocam para pensar”.

Elder e Jill Elder e Jill, com os filhos Kauan, Eric e Beatriz; este domingo será dia de receber presentes e muito carinho em família

Jill e Eder são pais por adoção de três irmãos mineiros

“Quando conversamos pelo Whatsapp e eles disseram que queriam ser nossos filhos, eu chorava de soluçar”, recorda o arquiteto Jill Castilho, 34 anos. Ele é casado com o advogado Eder Serafim, que tem a mesma idade, e, em 23 de janeiro de 2015, deram entrada na Justiça com um pedido de adoção. O casal é pai dos irmãos biológicos, Kauan, 9, Eric, 7 e Beatriz, 6.

“Sempre quisemos constituir uma família, nos casamos em 2010 com uma festa e, em 2014, no civil. Há a possibilidade da barriga solidária (quando uma parente gera o filho), mas nosso intuito sempre foi o de ser pais por adoção”, conta Jill.

Quando entraram com pedido na Justiça, aceitaram a adoção tardia e de irmãos, a princípio dois, depois mudaram para três. “Achamos que três filhos é o ideal para nós.”

Em maio de 2015, Jill e Eder passaram por palestra, um mês depois foram habilitados e em setembro do mesmo ano, entraram para o Cadastro Nacional de Adoção. “No dia 28 de dezembro recebemos uma ligação do Fórum de Minas Gerais dizendo que existiam três crianças e se queríamos conhecê-las”, conta.

Ele diz que a assistência social do abrigo começou a verificar com as crianças como se sentiam em relação a fazerem parte de uma família homoafetiva. Jill e Eder mandaram fotos, vídeos e depoimentos deles e de seus familiares para que as crianças pudessem ver primeiro e houve “total aceitação”, diz.

No dia 22 de janeiro de 2016 eles foram conhecer os filhos pessoalmente e duas semanas depois, no Carnaval, voltaram para buscá-las. “O juiz quis fazer uma audiência, nós sabíamos que não era assim que funciona, então, ele estava em desacordo com a adoção. Essa resistência fez com que sofrêssemos muito, tivemos medo que não desse certo, já tínhamos criado vínculo com nossos filhos”, diz.

Mas no fim deu tudo certo e no dia 28 de fevereiro eles foram buscar definitivamente os filhos. “No começo, logo que chegaram, sentimos um pouco a mudança, a adaptação. Mas até hoje, todos os dias, pensamos em como lidar com cada um deles, que têm suas próprias personalidades, que são, um a um, um universo. Damos carinho, amor, afeto, educação e é uma relação enriquecedora, mágica. Esse sentimento de amor é único.”

Jill diz que a recepção das crianças nas famílias e na pequena cidade de Guapiaçu foi muito boa, o mesmo se dá na escola onde estudam. “Sempre tem alguém que olha meio enviesado, com preconceito, por sermos um casal homoafetivo. Tem também aqueles que dizem que nossos filhos precisam de ir na terapia, como se com a adoção viesse junto um ser mal-educado e problemático. Como se os filhos biológicos não tivessem problemas, não fossem complicados. Não damos atenção a isso”, diz.
Neste domingo, Jill e Eder vão esperar as crianças cedo na cama. Sabem que vão ganhar os presentes e cartinhas que elas fizeram na escola. “Nos pediram para comprar duas canetas, a gente até finge que não sabe, mas vamos ganhar, sim, presente do Dia dos Pais”, completa.

leandro e filha Leandro e a filha, Isadora: é ele quem cuida da filha, enquanto a mãe trabalha fora

Leandro celebra com sua ‘riqueza’

“Todos os dias para mim é Dia dos Pais”, diz o mecânico aposentado Leandro Valério de Jesus, 29 anos. Mas este será o primeiro ano em que a data será comemorada ao lado de sua maior “riqueza”, Isadora, de 11 meses.

Leandro sempre sonhou em ser pai. Mas depois de sofrer um duro golpe, não sabia se poderia. É que ele ficou tetraplégico depois de ser atingido por uma bala perdida, em 2010, enquanto trabalhava em uma oficina mecânica. Depois de um tratamento de reprodução assistida, Isadora é a concretização de seu maior amor.

“Se alguém me perguntasse se eu prefiro voltar a andar ou ter minha filha do meu lado, não há nenhuma dúvida que a Isadora é a melhor coisa da minha vida, ela é tudo para mim”, diz.

No início da tarde de quinta-feira, dia 10, Leandro foi até o Centro para ver preços de bebê conforto para que a bebê possa andar de carro. Também está organizando tudo para a festinha de um ano que ele e a mulher, Monique, 25, farão para a filha em 30 de setembro. “Minha mulher trabalha e eu cuido de tudo que se relaciona à nossa filha”, conta.

Leandro passou por um tratamento de reabilitação na unidade Lucy Montoro de Rio Preto e conseguiu retomar os movimentos dos braços, apenas as mãos ficaram atrofiadas. Mas isso não é problema para ele, que faz questão de dar a papinha, leite, frutas, além de escolher as roupas que ela vai colocar. Todas as noites ela dorme na barriga do pai, que só depois de zelar pelo seu soninho, consegue dormir. “Eu aprendo muito com ela.”

Isadora está engatinhando, logo vai começar a andar e Leandro já se prepara para os novos desafios. “Ela sai pelo engatinhando e vai até a frente da casa e eu sigo atrás, para ver se está tudo bem”.

Ele também costuma colocar sua bebê na cadeira de rodas e sair para passear nas ruas próximas ou leva até uma pracinha. Neste domingo, a família pretende fazer um churrasco de Dia dos Pais e Leandro vai levar Isadora para brincar na praça.

É o pai também que ensina várias coisas para a bebê, como o que pode ou não fazer, a bater palminhas, a rosnar como cães. “Ela me imita em tudo. Todo mundo diz que a Isadora é a minha cara”, diz o pai. Inclusive, a menininha começou a balbuciar e pelo jeito, a primeira palavra que vai dizer é papai, o que tem deixado a mãe Monique, meio enciumada.

Não raro, as crianças veem seus pais como heróis. No caso de Isadora, ela realmente tem um herói dentro de casa. Leandro é o rapaz que salvou a vida de Gisele Cristina, em outubro de 2009, em uma enchente na avenida Alberto Andaló, ela estava sendo levada pelas águas e, com o auxílio de dois homens e uma corda, o mecânico nadou até a mulher e a trouxe pelo braço. 

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