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Quinta-feira, 20.04.17 às 00:00 / Atualizado em 19.04.17 às 21:55

Baleia Azul, o jogo do mal

Millena Grigoleti
Mara Sousa Adolescentes e pais - 20042017
Adolescentes e pais ouvidos pelo Diário sabiam da existência do jogo. Cleonice e a filha Tatiane acharam o game um horror

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Mara Sousa Adolescentes e pais - 20042017
Adolescentes e pais ouvidos pelo Diário sabiam da existência do jogo. Cleonice e a filha Tatiane acharam o game um horror

O Baleia Azul, jogo que veio da Rússia e cujo último dos 50 desafios é o suicídio, coloca crianças e adolescentes em risco e preocupa os pais. O assunto está em alta nas escolas, em redes sociais, meios de comunicação e nas conversas familiares. E já chegou à região. No final de semana, uma adolescente de 17 anos deu entrada no pronto-socorro de Urânia com ferimentos após se envolver na brincadeira. 

Na segunda-feira, 17, outra jovem da cidade, de 19 anos, procurou a unidade de saúde por volta das 21h30 após tentar se mutilar em etapa do desafio. Ambas tinham ferimentos no braço. Na terça-feira, 18, a Guarda Municipal de Santa Fé do Sul atendeu um adolescente de 16 anos que estava desmaiado e sangrando com cortes no braço. Ele também estaria jogando o Baleia Azul.

O jogo Blue Whale (Baleia Azul, em inglês) começa com um convite em rede social, feito pelo “curador” ou pelo interessado em participar. Os grupos são privados. Se quiser sair, o jovem é ameaçado. Missões incluem ver filmes de terror e desenhar uma baleia na pele utilizando lâmina. No Brasil, pelo menos oito tentativas de suicídio ligadas ao jogo estão sendo investigadas - duas no Rio de Janeiro, cinco em Curitiba (PR) e uma em Bauru.

Em Belo Horizonte (MG), um jovem de 15 anos teria cometido suicídio no fim de semana motivado pelo desafio. O DataSus aponta que está crescendo o número de internações de jovens por lesões provocadas por eles mesmos. Na região de Rio Preto, foram 52 em 2015 e 66 em 2016 entre pessoas de 10 a 29 anos. Somente em 2017 são dez casos. “Segundo o Ministério da Saúde, as faixas em que as taxas de suicídio mais cresceram no Brasil entre 2002 e 2012 foram as dos 10 aos 14 (40%) e dos 15 aos 19 (33,5%)”, diz a psicóloga Mônica Soares.

Quadro de depressão

Psicólogos alertam: se a criança ou o adolescente entra no jogo voluntariamente - ou embarca sem saber e não pede ajuda quando percebe que é prejudicial - já há um problema psicológico. Ou seja: aderir ao Baleia Azul já demonstra um quadro de depressão. “O adolescente que não tem transtorno psíquico não vai entrar num jogo desse. Vai entrar aquele que está precisando que vejam suas questões emocionais”, fala a psicóloga Amélia Cristina Gomes.

Muitas vezes, as mudanças comportamentais dos jovens não estão ligadas somente à adolescência e requerem mais atenção. Além disso, há momentos de maior fragilidade. “A adolescência é um desses momentos”, afirma Amélia.

A psicóloga Monica Soares aconselha os pais a vistoriarem o celular dos filhos. “É uma demonstração de amor. O principal são pais, familiares e educadores nunca minimizarem o sofrimento das crianças e adolescentes”, orienta. “Muitos pais dizem ‘no meu tempo que era difícil’ e esquecem que sofrimento não se compara”, destaca.

 

Arte - 20042017 Clique na imagem para ampliar

Baleia Rosa

Na contramão do jogo que destrói a vida, um jovem designer de 28 anos e a amiga publicitária, de 30, moradores de São Paulo, resolveram criar o Baleia Rosa. A página entrou no ar no Facebook na quinta-feira, 13, e já acumula 158,4 mil curtidas. No site estão os 50 desafios do bem, como postar uma foto com a roupa que faz o participante se sentir bem, fazer um novo amigo, ligar para os avós, pedir desculpas ou perdoar alguém, agradecer pelo que se tem. O último desafio é salvar uma vida por meio de instituição de confiança.

(Colaborou Arthur Avila)

Pais dizem controlar o que filhos fazem na rede

A reportagem ouviu cinco mães e sete adolescentes na tarde desta quarta-feira, 19. Todos sabiam do que se tratava o jogo Baleia Azul. Ligiane, dona de casa de 37 anos, diz que controla tudo que a filha Júlia, 12, faz na internet. Verifica grupos, conversas, amigos. Nas redes sociais, só conhecidos e família. “Olho tudo. Não pode deixar muito à vontade. Quando alguém manda solicitação ela me mostra”, conta.

Tatiane, 25, foi quem mostrou para a mãe, Cleonice, diarista de 46 anos, sobre o jogo. “Sempre foram bem ajuizadas, conversam”, conta a mãe, que acha o game “um horror”. Tatiane acredita que os jovens aderem à prática por causa de carência e que fez a diferença em sua vida o diálogo que sempre manteve com a mãe. Silmara, 33 anos, também sempre acompanha o que o filho de 16 faz na internet. 

“Converso muito a respeito. Com certeza fico preocupada.” Uma adolescente de 15 anos diz que uma colega de classe está jogando o Baleia Azul. Ela acredita que os jovens têm esse comportamento quando se sentem solitários ou sofrem agressões na escola. Um adolescente de 17 anos considera que os jovens entram no game por curiosidade ou depressão, e acredita que os professores deveriam tratar do assunto na escola, para evitar a prática.

Penalização

Segundo a advogada Adriana Cansian, especialista em direito digital, o crime de induzimento ou instigação ao suicídio está previsto no Código Penal. Se o ato for consumado, a pessoa pode pegar de dois a seis anos de reclusão. A pena pode ser duplicada caso a vítima seja menor de idade, o que acontece no jogo. Se o jogador não se matar, ainda assim o “curador” pode ser penalizado com um a três anos de reclusão. 

análise

Processo não ocorre de um dia para outro

O que é que está acontecendo que um simples game tem atraído jovens para a morte? A pulsão que bate no jovem é para a vida, realização, futuro, conquistas. A gente está experimentando um número de jovens se aventurando em um jogo trágico. Isso deveria estar alertando a gente muito mais. Deveria estar trabalhando com as escolas, com os pais. Não é um processo que se dá de um dia para o outro.

Parece que as famílias não estão olhando para seus jovens, porque esse comportamento tem antecedentes. Certamente eles ficaram arredios, tiveram comportamentos fora do que a gente poderia chamar de padrão normal, se afastaram das famílias, dos amigos, não recebiam nem faziam visitas, ficavam reclusos e parece que isso passou desapercebido. A primeira coisa que não se pode perder de vista é o diálogo, a conversa e a observação.

Esse tipo de jogo tem acontecido entre os adolescentes na faixa de 14 a 16 anos. São 14 a 16 anos de convivência e de aprendizado, quais são os hábitos que a pessoa tem, como é que ele se comporta, o horário de acordar, o horário de dormir e a conversa, saber quais são as ideias. Parece que esse diálogo tem sido muito pouco praticado, o que leva a uma situação dos pais desconhecerem seus filhos e os filhos desconhecerem seus pais. 

Quando tem mudança de comportamento no jovem, principalmente nessa fase de adolescência, alguma coisa está acontecendo, não tenha dúvida. O simples fato de um jovem se afiliar a uma proposta de um jogo desse mostra que ele está precisando de muita ajuda.
Os pais devem mostrar que um certo empenho é importante para se constituir um futuro legal, se ter boas condições de vida.

Mostrar que eles têm potencial, têm capacidade e têm na mão deles a possibilidade de realizar os sonhos, mas que isso é fruto de trabalho. A gente precisa valorizar socialmente um pouco mais o trabalho, um pouco mais a vida, a atitude ética, o comportamento moralmente correto porque os exemplos ao contrário estão aí. 

Paulo César da Silva Guimarães, professor de psicologia da Faculdade Mackenzie Rio

 

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