Painel de Ideias

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Uma seleção de cronistas e articulistas entra em campo para bater bola diariamente com o leitor. O time conta com jornalistas, professores, bibliotecária, médico, escritor, promotor de Justiça e um juiz

Sexta-feira, 21.04.17 às 00:00 / Atualizado em 20.04.17 às 17:35

Saber errar

Evandro Pelarin
cronista colunista_Evandro Pelarin

*Somente os humanos erram, limitando-se aqui, nesta análise, o sentido moral do termo. O erro é a falha, algo indesejável, produto do equívoco, do engano, da ignorância ou da obscuridade. Condena-se o erro e o errado. Com alguma condescendência, desculpa-se aquele que errou, mas o erro não se apaga. Há clichês para a absolvição ou para o consolo, tais como: ‘errar é humano’, ‘o erro é o caminho do acerto’, ‘só erra quem faz’, ‘é errando que se aprende’, etc.

Em certo sentido, o erro é a negação da sabedoria. O sábio erra pouco, erra menos. Mas, no fundo, erra também. Além da inevitabilidade do erro, a condição humana é tão arriscada que nem sempre dá pra saber se estamos certos ou errados. Às vezes, erramos mesmo na certeza de que estávamos acertando. E para complicar ainda mais, ocasionalmente, o erro acaba dando no acerto. Aí tudo fica muito confuso. Quase desaparece a diferença entre o acerto e o erro, e ficamos sem saber quando é que estamos realmente certos ou errados.

Nessa confusão, andamos assim, meio perdidos, meio às cegas, tateando no escuro na hora das escolhas. O melhor a fazer - ou, talvez, a única coisa a ser feita - é buscar fazer o melhor, a escolha que nos pareça mais acertada, seguir o caminho que se apresenta como mais recomendável. Mesmo que não haja certeza de nada. E se o que fizermos, se o que escolhermos, se o caminho que seguirmos será mesmo o melhor, o mais certo, o preferível, só o futuro poderá dizê-lo.

Quantas vezes o triunfo é o começo ou a porta da ruína? Quantas vezes a derrota é a salvação? Afinal, não é famoso aquele dístico popular segundo o qual ‘nem tudo que reluz é ouro’? Ou, aquele outro, que diz que ‘há males que vêm pra bem’? Como saber, então, se as nossas escolhas são as melhores, as mais certas? Não dá pra saber, definitivamente. Logo, o máximo que está ao nosso alcance é procurar fazer o melhor, mesmo sabendo que não é possível conhecer integralmente o que é realmente o melhor. Isso dá bem a medida de quão precária é a condição humana. Nunca sabemos, categoricamente, se estamos no rumo certo, nem no melhor caminho. Todas as direções podem conduzir ao naufrágio ou ao êxito; às vezes, basta virar uma esquina.

Nossa condição, como humanos, é tão tortuosa que não conseguimos nem mesmo identificar (e escolher) aqueles que seriam os nossos melhores caminhos. Pois a calmaria sempre pode dar na tormenta. Um simples erro e ... pronto! A viagem dos sonhos se transforma num pesadelo. O novo emprego é pior do que o antigo. O(a) novo(a) companheiro(a) tem defeitos que eu não imaginava e que me atormentam. Aquela bobeira a mais no volante me custou caro. As palavras que proferi foram duras demais etc. Em suma, não dá para excluir, nem sequer neutralizar, o erro e suas variadas possibilidades, seus caprichos, pois isso significaria anular ou neutralizar os próprios errantes: nós mesmos.

Enfim, para o bem ou para o mal, temos que conviver com o erro, com os nossos e com os dos outros. O erro é uma contingência demasiadamente humana. Estamos sempre sujeitos a ele. O erro é possível; mais que possível: é provável; mais que provável: é inevitável. Quem sabe se não poderíamos, pelo menos, encontrar uma maneira de errar com sabedoria? Não apenas aprender com o erro para depois fazer o certo, como se costuma dizer, mas aprender a errar mesmo. Errar com inteligência. Ou seja: aprender como se erra melhor. Pois, para saber viver, também é preciso saber errar.

Com pequenas adaptações, este texto é de autoria de um dos melhores professores que tive até hoje, o inesquecível Antônio Alberto Machado. Um ser humano dos mais sensíveis e amantes da vida que eu conheci, um ‘Professor’ com ‘P’ maiúsculo da igualmente memorável Unesp/Franca.

 

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