Editorial

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  • A tarefa de viver é dura, mas fascinante
Sexta-feira, 19.05.17 às 00:00 / Atualizado em 18.05.17 às 23:26

O País tem pressa

A nova crise política estabelecida com a grave revelação de que o presidente da República, Michel Temer (PMDB), teria dado aval para que o dono da empresa JBS, Joesley Batista, comprasse o silêncio do ex-presidente da Câmara e atual presidiário Eduardo Cunha deve ser enfrentada e resolvida sob uma condição inegociável: a obediência irrestrita à Constituição Federal. Se Temer deixar o cargo, que seja pelas mesmas vias com que foi conduzido à Presidência, diante do impeachment da antecessora Dilma Rousseff (PT). Pelo mesmo processo de impeachment, ou outro meio legal, ou ainda pela renúncia, ato unilateral que ele ontem mesmo já descartou.

Embora seja possível, por meio de emenda constitucional, uma eventual antecipação das eleições diretas não parece ser uma saída capaz de restabelecer a normalidade política e democrática do País. Embora o lulopetismo insista que se tratou de golpe, Temer foi legitimamente eleito na chapa de Dilma, com a votação de um batalhão de petistas. A cassação de Dilma seguiu uma previsão constitucional, assim como sua substituição pelo então vice-presidente. Diante do novo episódio que está abalando a República, cabe seguir o mesmo caminho, apurar com rigor, com celeridade.

De todo jeito, a situação do presidente ficou muito complicada e Temer precisa muito mais do que o pronunciamento de ontem para se manter no cargo. Não basta argumentar que foi vítima de uma gravação “clandestina”, divulgada em fragmentos, nem imitar Dilma e Lula e se dizer vítima de uma conspiração. O trecho mais polêmico, por exemplo, não é tão claro, mas nem por nisso deixa de ser grave. Joesley fala: “Eu tô bem com o Eduardo, ok?” Temer responde: “Tem que manter isso aí”. O contexto observado a partir de trechos anteriores e posteriores a essas frases soa como tentativa de obstrução da Justiça e deixa evidente a preocupação sobre o que Cunha pode falar à Operação Lava Jato.

Por mais truncado e cifrado que tenha sido o diálogo observado no áudio divulgado ontem, Temer falou em pleno exercício do mandato, numa conversa nada republicana, com um personagem movido por objetivos claramente imorais, para favorecer um condenado que sabe demais.

Ainda que se possa creditar ao próprio Temer parte dos sinais de reação da economia e o andamento de reformas inadiáveis, como a previdenciária e a trabalhista, não é possível ignorar a relevância da revelação - sem contar suas consequências, como a debandada de aliados no Congresso e a fragilização da governabilidade. O presidente, agora investigado pelo Supremo Tribunal Federal, chegou ao ponto que lembra o ditado da Roma Antiga, sobre a mulher de César - não basta ser honesto, é preciso também parecer honesto. Definitivamente, não é o que parece.

 

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