Editorial

  • Sábado, 19 de Agosto
  • Se não existe esforço, não tem progresso!
Sábado, 20.05.17 às 00:00 / Atualizado em 19.05.17 às 23:12

Fora Temer

O diálogo entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o suspeitíssimo Joesley Batista, dono do grupo JBS, é estarrecedor no conteúdo e na forma como foi produzido. A conversa gravada pelo empresário na calada da noite, na casa de Temer, é uma confissão de vários crimes. Tem obstrução da Justiça, tráfico de influência, pagamento de propina e, no caso específico do presidente, prevaricação, porque nada fez. Sem saber que estava sendo gravado, aliás, concordou com muitas colocações e até mostrou alívio com o que ouviu.

Com a maior naturalidade, Batista contou que estava “segurando” dois juízes e que conseguia informação de “um procurador dentro da força-tarefa”. Além disso, tranquilizou Temer dizendo que está “de bem com o Eduardo”, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), a sinistra figura que sabe demais e, lembrando chefes de organizações criminosas, controla o crime de dentro da cadeia. Temer ouviu tudo sem esboçar qualquer reprovação. E ainda perguntou se o interlocutor teve o cuidado de entrar sem ser visto.

Esse episódio não pode ser minimizado sob a justificativa de que é preciso poupar o País do estrago de mais um terremoto político com consequências graves para a cambaleante economia, especialmente se Temer cair. Sob investigação do Supremo Tribunal Federal, o presidente que tem a governabilidade em xeque e coleciona vários pedidos de impeachment tramitando no Congresso caminha para o inevitável beco sem saída. Qualquer analista minimamente inteligente, e com isenção, é capaz de identificar que, embora diferente nas circunstâncias, a situação de Temer é tão grave quanto a que derrubou sua antecessora. Aceitar isso é o que se espera de quem, de forma honesta e convicta, defendeu o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Por uma simples questão de coerência.

Esse é um momento de fazer escolhas entre ser homem, e agir como homem, ou ser animal e agir como animal no pior dos sentidos; ou dois animais, como exemplifica Maquiavel, na famosa obra “O Príncipe” - a raposa pronta para conhecer e se desvencilhar dos laços, e o leão, para aterrorizar os lobos, e inventar “legitimidades” para contrariar a própria palavra.

É imperioso que se coloque os interesses do Brasil acima de tudo, e em primeiro lugar, mas nunca a qualquer preço. Uma coisa é não desejar que o País derreta em meio a mais uma traumática troca de presidente - e ninguém em sã consciência deseja isso. Outra coisa é ignorar um escândalo e subestimar a capacidade de discernimento dos cidadãos. Os fins não podem sempre justificar os meios, menos ainda meios nada republicanos que marcaram a conversa nos escondidos do Jaburu.

 

Comentários

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Facilite seu acesso agregando uma
conta de rede social ao seu perfil
Sexo
Confirme seu cadastro

Para acessar nossos conteúdos especiais é necessario que você ative seu cadastro.

Acesse seu e-mail e clique no link que lhe enviamos. Caso não tenha recebebido, digite abaixo seu e-mail.