Editorial

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Sexta-feira, 21.04.17 às 00:00 / Atualizado em 20.04.17 às 23:57

A volta das CPIs

Depois de oito anos silenciada pela mão de ferro do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), a Câmara de Rio Preto retoma com ânsia poucas vezes vista em sua história a criação de um instrumento importante para demarcar a independência entre poderes e que simboliza ao máximo a função fiscalizadora do vereador em relação ao Executivo: as comissões parlamentares de inquérito, ou simplesmente CPIs. De janeiro para cá, cinco foram criadas, das quais três estão em pleno funcionamento.

A maioria dos fatos que os vereadores pretendem investigar é relacionada a atos da gestão de Valdomiro, que saiu enfraquecido da eleição de outubro com a derrota do candidato que escolheu para sucedê-lo ao cargo. Mas não só. Um de seus principais para-raios no Legislativo, o vereador Fábio Marcondes (PR), embora reeleito, ficou gravemente atingido pelas denúncias de compra de voto durante a campanha do ano passado. Foi incapaz de evitar, por exemplo, que seus desafetos na Casa pusessem por terra a lei que ele conseguiu emplacar em 2013 que impedia a instalação de mais de duas CPIs ao mesmo tempo. Foi esse represamento, aliás, que provocou o aumento inusitado de comissões de inquérito em tão curto período.

Marcondes, no entanto, está ferido, mas não morto. Pelo menos uma CPI, a que investiga fraudes no pagamento do programa auxílio-atleta, o afeta. Já se sabe que o principal cabo eleitoral do vereador, Rogério Martins, também metido no escândalo da compra de voto, recebeu o benefício. E suspeita-se que não só ele tenha sido indicado por Marcondes. Essa CPI também pode trazer sérias complicações para dois outros vereadores, José Carlos Marinho (PSB) e Francisco Júnior (DEM), ambos ex-secretários de Esportes na gestão de Valdomiro. Seria ingênuo supor que eles não vão reagir para tentar melar a investigação.

Os três, aliás, já estão agrupados numa ala dentro da Câmara, que cria instabilidade para o prefeito Edinho Araújo (PMDB) num claro revide às iniciativas de vereadores da base governista que querem escarafunchar supostos malfeitos da gestão anterior, como o contrato do lixo e o das obras antienchente, ambos com a empreiteira Constroeste, alvos de outras duas CPIs.

Tudo isso redobra a responsabilidade dos integrantes dessas comissões de fazer um trabalho sério, de ir a fundo nas investigações sem se deixar contaminar pelo desejo de prejudicar politicamente o adversário com “informações bombásticas” que depois não se sustentam. Os vereadores, sobretudo os novatos, têm essa necessidade de aparecer na mídia, custe o que custar. É um erro que macula não só a credibilidade deles próprios, mas o próprio instrumento da CPI. É preciso, por fim, pensar com muito cuidado antes de criar ferramenta tão relevante como uma comissão de inquérito, sob risco de banalizá-la aos olhos da sociedade - a não ser que o objetivo seja esse mesmo.

 

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