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Sábado, 18.03.17 às 15:22

Retrocesso

Wilson Daher
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Até alguns anos atrás, tive a honra da titularidade da disciplina de História da Medicina, na Famerp. Não posso afirmar que as aulas fossem atrativas ou que despertassem maiores emoções nos alunos do primeiro ano que, conforme observado, pouco se interessavam pelo nosso passado da área médica. Acredito que seja assim em todas as circunstâncias da vida, porque a atual geração prima somente pelo imediatismo pragmático.

Porém, uma das exposições que mais despertava discussões, dizia respeito à questão da Saúde Pública nos primórdios do século XX, no Brasil e,especificamente, no Rio de Janeiro, onde atuava o sanitarista Oswaldo Cruz. À época o Rio recebia o título nada honroso de “túmulo dos estrangeiros”, em função das doenças endêmicas e epidêmicas que grassavam na cidade, mormente a febre amarela, a cólera e a peste bubônica, cujos hospedeiros do vetor eram os ratos.

A batalha de Oswaldo Cruz para convencer a população de que deveria submeter-se à vacinação contra a febre amarela é por demais conhecida e não precisa ser aqui repetida. O que importa enfatizar é que a batalha naquela época refletiu seus efeitos positivos no saneamento da cidade, a ponto de se exclamar que a febre amarela estava erradicada.

Descaso ou incúria, ou ambos, o fato é que, passados mais de 100 anos, estamos agora às voltas como o mesmo terror daquilo que, caso fôssemos um país sério, até desconheceríamos. Alguém falou que quem desconhece o passado está fadado a repeti-lo, e aqui se encontra um perfeito exemplo deste axioma. O Brasil é um país que não cultiva a memória como coisa séria, o que mais se escuta é que as coisas velhas são velharias e devem ser recolhidas na vala do esquecimento. Isto ocorre mesmo em medicina, onde às vezes se desprezam medicamentos eficazes, por serem mais antigos, em troca da novidade revestida de marketing agressivo.

Se em algum tempo o Brasil chegou a produzir alguma forma de admiração no exterior (raras vezes) agora produzimos medo, menosprezo, com várias medidas de precaução tomadas pelos que vêm de fora.

Lembrem-se das Olimpíadas e o medo das infectocontagiosas pelos atletas de outros países.

Às vezes sentimos um halo de esperança pairando no ar. Poucas vezes, mas isso é melhor que nada. Aqui em Rio Preto, li sobre um mutirão que vai ser promovido pela Secretaria de Saúde em parceria com várias entidades de classe. Irão “invadir” casas fechadas e caçarem focos de mosquitos transmissores, que foi exatamente o que foi feito pela equipe de Oswaldo Cruz na limpeza da cidade do Rio, há 112 anos. Repetir o passado de uma forma benéfica é uma maneira de positivar o axioma citado anteriormente.

Hoje, com a mídia social, observamos também que há muitas manifestações de repúdio à má política e seus desdobramentos. Nada mal, mas os movimentos participativos deveriam ser mais objetivos, pois muito além da nossa indignação, há que transformá-la em atos que objetivem uma reviravolta pra valer em nossos costumes.

Quando em certo artigo citei um personagem de Kafka que conclamava o povo à luta (“a salvação não vem do alto”) imaginava mesmo que chegaríamos onde chegamos: por enquanto penso que caminhamos muito pouco. 

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