Diário da Região

15/05/2019 - 22h45min

EDUCAÇÃO

Ida de ministro à Câmara vira sessão de provocações

'Conhecem carteira assinada?', afirma Weintraub a deputados e culpa PT por crise

Luis Macedo/Câmara dos Deputados Ministro da Educação, Abraham Weintraub, conversa com a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann
Ministro da Educação, Abraham Weintraub, conversa com a líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, partiu para o ataque na tarde desta quarta-feira, 15, durante audiência na Câmara para explicar os cortes na Educação. Ao defender o uso de recursos recuperados de corrupção na área, afirmou ter a ficha limpa, não ter passagem pela polícia e ter sua carteira assinada. Em seguida, de forma irônica, provocou os deputados: "Fui bancário. Carteira assinada. Viu, azulzinha, não sei se vocês conhecem", afirmou, provocando vaias de parte dos parlamentares que assistia a audiência. Um coro se formou, com deputados gritando "Demissão".

Weintraub foi convocado por parlamentares para explicar o contingenciamento na área da educação. Numa exposição de 30 minutos, uma versão revista da que ele expôs no Senado há alguns dias, o ministro defendeu a prioridade para creches e educação básica, irritando os parlamentares, por não falar diretamente sobre o contingenciamento determinado pelo governo.

Diante das primeiras críticas ouvidas dos deputados Paulo Pimenta e Orlando Silva, Abraham Weintraub não ficou na defensiva e adotou um discurso também agressivo. Citou a ex-presidente Dilma Rousseff, numa referência a manobras nas contas que levaram ao pedido de impeachment. Mais tarde, a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), questionou se o ministro havia dito e se mantinha a fala de que "comunistas mereciam uma bala na cabeça".

"Eu sou comunista e estou aqui, ministro", disse Feghalli que no discurso, pediu a demissão. E, mais uma vez, Weintraub aumentou o tom. "Não tenho passagem pela polícia por ameaça, agressão. Não tenho processo trabalhista. Minha ficha é limpíssima, não tenho mácula. Tiveram que voltar 30 anos na minha vida para obter um boletim ruim porque eu tinha arrebentado o meu braço, obtido de forma ilegal", disse. "Outra coisa, bala na cabeça quem prega não é esse lado aqui."

Diante dos gritos, ele elevou o tom para falar sobre o ex-presidente Lula que, ressaltou, "hoje está preso". O ministro afirmou que uma colega teria sido demitida por influência do ex-presidente, que teria perdido o cargo da funcionária à presidência do banco Santander depois de ela fazer críticas ao ex-presidente. "O amigo do banqueiro e o Lula que pediu a cabeça da colega de profissão. Foi o Lula que humilhou e falou que era para o banco pagar o bônus para ele."

O ministro procurou eximir o governo Bolsonaro por contingenciamentos no MEC e voltou à carga contra os petistas. "Não somos responsáveis pelo contingenciamento atual", afirma, atribuindo a culpa ao governo de Dilma Rousseff, que tinha Michel Temer como vice. "Este governo, que tem quatro meses, não é responsável pela situação", disse para, mais calmo, declarar estar "aberto ao diálogo".

Ligação de Bolsonaro

Weintraub foi questionado sobre uma conversa telefônica entre ele e Bolsonaro, presenciada por um grupo de parlamentares que entenderam que o presidente havia determinado o fim dos cortes na Educação. "Os senhores escutaram o presidente falando comigo, mas não me escutaram. Eu falei para o presidente 'não há corte, há contingenciamento'", disse ele. "Estava na explicação. Foi um mal-entendido."

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