Diário da Região

14/05/2019 - 09h37min

CINEMA

Cannes estende o tapete para zumbis de Jarmusch

'Dead Men Dont Die' (Mortos Não Morrem), do diretor Jim Jarmusch, abre, nesta terça, 14, a 72ª edição do Festival de Cannes

Divulgação 'Os Mortos Não Morrem', do diretor norte-americano Jim Jarmusch, abre Cannes este ano
'Os Mortos Não Morrem', do diretor norte-americano Jim Jarmusch, abre Cannes este ano

Cannes acolhe nesta terça-feira, 14, Jim Jarmusch, na abertura da 72ª edição do mais famoso festival de cinema do mundo. Nos últimos anos, a Croisette, como evento planetário, tem sofrido a pressão da indústria - leia-se Hollywood -, que gostaria que o festival mudasse de data. No segundo semestre, Veneza, que chega a coincidir durante alguns dias com Toronto, e o evento canadense viram vitrines do Oscar. Cannes, em maio - como Berlim, em fevereiro -, ainda é muito distante para antecipar tendências que vão dominar a Academia de Hollywood no ano seguinte, exceto na categoria de filme estrangeiro. Tradicionalmente, a seleção de filmes em língua estrangeira é dominada pelas obras que ganharam o mundo através de Cannes.

Luz, câmera, ação! O espetáculo vai começar. Jim Jarmusch, um habitué, dá a largada. "Dead Men Dont Die", Mortos Não Morrem. Na quarta, 15, o Brasil pisa no tapete vermelho. Kleber Mendonça Filho e sua equipe, incluindo Sonia Braga, Udo Kier e Maeve Jinkins, vão mostrar "Bacurau". Kleber codirige com Juliano Dornelles a história que, de alguma forma, parece dar continuidade a "Aquarius", com o qual o autor já brilhou na Croisette há três anos. Com a morte de sua mais velha habitante, os moradores de uma cidadezinha do sertão descobrem que não estão mais no mapa. Segundo os diretores, trata-se de um faroeste com ecos de ficção científica, ambientado num futuro próximo, mas com os problemas do Brasil de antigamente.

Outro brasileiro de volta a Cannes será Karim Aïnouz, que também integra a seleção oficial com "A Vida Invisível de Euridíce Gusmão". O filme - livremente adaptado do livro de Martha Batalha - é interpretado por Carol Duarte, Júlia Stockler e Fernanda Montenegro. Passa na segunda, 20, na mostra Un Certain Regard, a mesma em que Aïnouz apresentou "Madame Satã" em 2002.

Mais dois brasileiros estarão no festival - "Sem Seu Sangue", de Alice Furtado, sobre garota desinteressada da vida que descobre o amor num jovem hemofílico, na Quinzena dos Realizadores, e "Indianara", de Aude Chevalier-Beaumel e Marcelo Barbosa, sobre a luta da transexual Indianara Siqueira em defesa dos direitos das pessoas LGBTQ.

O Brasil ainda se faz representar como um dos produtores de "O Traidor", do italiano Marco Bellocchio, na competição; "Port Authority", de Danielle Lessowitz, em Um Certo Olhar; e "The Lighthouse", de Robert Eggers, na Quinzena. O primeiro é coproduzido pelos irmãos Caio e Fabiano Gullane, e foi filmado em São Paulo. O segundo e o terceiro têm a chancela de Rodrigo Teixeira, que também produz o filme de Karim Aïnouz. Teixeira vê nessa overdose brasileira em Cannes um sinal de criatividade, "que fica mais aguçada em tempos de crise".

É sinal dos tempos que Cannes tenha escolhido um filme de gênero para a abertura deste ano. "Mortos Não Morrem" conta a história de um repórter de TV assassinado pelos poderosos que investiga para uma matéria. Ele ressuscita graças à intervenção de uma sacerdotisa de vodu e provoca a maior confusão - entre colegas e criminosos - ao aparecer no ar. Jarmusch, só para lembrar, já mostrou em Cannes, em 2013, "Amantes Eternos", sobre vampiros.

Jarmusch nesta terça, Kleber Mendonça na quarta. O festival encerra-se no sábado, 25, com a atribuição da Palma de Ouro. A mostra competitiva antecipa-se das melhores dos últimos anos, com novos filmes de Pedro Almodóvar ("Dor e Glória"), Quentin Tarantino ("Era Uma Vez em Hollywood"), Xavier Dolan ("Matthias e Maxime"), Jean-Luc e Pierre Dardenne ("O Jovem Ahmed"), Ken Loach ("Sorry We Missed You"), Abdellatif Kechiche ("Mektub My Love - Intermezzo"), Elia Suleiman ("It Must Be Heaven") e Terrence Malick ("A Hidden Life").

Un Certain Regard também apresenta suas pérolas - "Jeanne", a sequência de "Jeanette", de Bruno Dumont, com a mesma atriz que interpretava Joana DArc menina, Lise Leplat Prudhomme, "Chambre 212", de Christophe Honoré, e "Liberté", de Albert Serra. O festival homenageia a cineasta Agnès Varda, que morreu em março, mostrando-a em seu cartaz, ainda jovem, montada nas costas do diretor de fotografia de La Pointe Courte, que ela filmou em 1954.

O festival também comemora, em Cannes Classics, os 50 anos de "Sem Destino", de Dennis Hopper, e na mesma seção paga tributo a Milos Forman, com a versão restaurada de "Os Amores de Uma Loira"; a Luis Buñuel, com o restauro de três títulos fundamentais - "LÂge dOr", "Los Olvidados" e "Nazarín"; a Lina Wertmuller, com "Pasqualino Sete Belezas"; e a Vittorio De Sica, que venceu o Grand Prix, quando ainda não havia a Palma de Ouro, com "Milagre em Milão", de 1951.

O júri deste ano é presidido por Alejandro González-Inárritu e outro mexicano, Alfonso Cuarón, vai apresentar, numa sessão da meia-noite, o cultuado "Shinning/O Iluminado", de Stanley Kubrick.

 

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