Diário da Região

31/03/2019 - 00h30min

UMA RIO PRETO DO FUTURO

Como obras milionárias poderão melhorar o trânsito

Com investimentos de cerca de R$ 370,4 milhões em obras para melhorar o trânsito, Rio Preto está ciente de que desafios na área são constantes, já que o número de habitantes e de veículos não para de aumentar

Ivan Feitosa/SMCS/Divulgação Obras do Complexo das avenidas Mirassolândia e Domingos Falavina: conclusão prevista para o início do ano que vem
Obras do Complexo das avenidas Mirassolândia e Domingos Falavina: conclusão prevista para o início do ano que vem

As obras que prometem melhorar o trânsito de Rio Preto - que já estão em andamento ou previstas para começar - vão receber investimentos aproximados da ordem de R$ 370,4 milhões. A expectativa é resolver alguns gargalos, principalmente na zona norte, e dar mais celeridade ao transporte público. O município conta atualmente com 390.756 veículos entre carros, motos, caminhonetes e caminhões - quase um para cada um dos 456.756 mil habitantes - e essa quantidade explica em parte o grande número de acidentes e pontos de engarrafamento.

Na cidade em que as grandes imprudências são excesso de velocidade, avançar sinal vermelho, não respeitar o pare e dirigir utilizando o celular, entre janeiro e fevereiro foram registrados 211 acidentes com 11 mortes. A maioria dos envolvidos tinha entre 18 e 30 anos e ficou ferida de forma moderada. Em janeiro, 73% dos envolvidos eram motociclistas; em fevereiro, este índice saltou para 78%. Das 11 mortes, sete foram em vias municipais.

A série Trânsito Seguro, do Diário da Região, chega neste domingo, 31, à sua quarta e última reportagem. De acordo com o secretário Amaury Hernandes, de Trânsito, Transportes e Segurança, as vias e sinalização devem estar em constante análise e passar por melhorias sempre, pois o trânsito está em constante mutação. "A gente tem feito as medições de volume diário médio das nossas vias justamente para que possamos monitorar e checar quantidade, velocidade e densidade desses veículos - quantos ônibus, quantos carros, quantos caminhões e quantas motos. E também estamos fazendo uma pesquisa que inclui o pedestre", afirma. 

Mobilidade

São várias as obras em andamento em Rio Preto: o novo terminal urbano, os corredores de ônibus, o complexo viário da avenida Mirassolândia e o recapeamento que faz parte do anel viário. Outras estão previstas aguardando processo licitatório: os miniterminais e o anel viário. "Vai melhorar muito, mas a gente sabe que acabar com os problemas é muito difícil. Na região norte, a construção do viaduto e outras aberturas, principalmente do anel viário, vão melhorar", garante o secretário. "Ele vai interligar as regiões com maior rapidez."

As obras que devem ser entregues primeiro, em agosto, são o novo terminal e os corredores de ônibus - por enquanto, somente o da avenida Alberto Andaló está em funcionamento. De 2018 até março deste ano foram aplicadas 39 multas a motoristas que transitaram indevidamente pelo espaço. Placas ao longo da avenida informam os horários em que é proibido transitar ou estacionar pela via.

O tráfego é exclusivo para o transporte coletivo pela faixa em dois períodos - das 5h às 8h e das 16h30 às 19h30 - de segunda a sexta-feira. Está liberado a todos os veículos aos sábados, domingos e feriados. Parar e estacionar na faixa exclusiva é proibido das 5h às 20h, exceto aos sábados, domingos e feriados. A multa pelo desrespeito é considerada infração grave, gera perda de cinco pontos na CNH e a multa custa R$ 195,23.

De acordo com Hernandes, embora as obras estejam adiantadas, faltam sinalização, semáforos para pedestres e equipamentos que vão garantir a sincronização dos semáforos nos novos corredores de ônibus - um pedido antigo dos condutores, a chamada onda verde. "Cada semáforo tem uma caixa onde se coloca a placa de programação. Outro equipamento faz com que um se comunique com o outro. Aí você vai programando isso na central semafórica."

Novo terminal

O novo terminal, na Praça Cívica, também tem previsão de ficar pronto em agosto. Hernandes ressalta que o estudo foi feito pelo governo anterior e que a atual administração vai analisar como o espaço será utilizado. "O projeto previa toda a saída pela frente e nós estamos revisando para fazer entrada e saída pela frente e saída pelo fundo, talvez usar os dois lados", afirma. "Conforme os problemas forem aparecendo, vamos interagindo. Não dá para ficar 'projetou assim, tem que ser assim'. Não está funcionando, vamos adequando."

O novo terminal e os corredores de ônibus fazem parte do Plano de Mobilidade Urbana, assim como o complexo viário da Avenida Mirassolândia, que deve ser entregue no início de 2020, e os cinco miniterminais que serão instalados pela cidade. Também está prevista a reforma do miniterminal já existente na avenida Potirendaba.

A Secretaria de Obras informou que está na fase de aprovação dos projetos dos miniterminais junto à Caixa Econômica Federal e aguardando a liberação de algumas áreas a serem desapropriadas para implantação das construções. A estimativa é que os processos licitatórios comecem a ser disparados em maio. 

Anel viário

O projeto do anel viário está em fase de licitação. O recapeamento que está sendo feito em 200 quilômetros de avenidas e ruas faz parte do pacote. O resto está dividido em três partes, cuja primeira está em fase de licitação e a segunda deve ser disparada em abril. "Está começando nos Damhas, mas vai rodar a cidade toda. Vão ser construídas avenidas, interligadas. Tem construção de várias pontes". A previsão é terminar o projeto no ano que vem.

Obras que prometem minimizar os problemas do trânsito de Rio Preto

Novo Terminal Urbano

  • Valor: R$ 64,2 milhões
  • Previsão de conclusão das obras: Agosto de 2019

Corredores de ônibus

  • Valor: R$ 64,9 milhões
  • Previsão de conclusão das obras: Agosto de 2019
  • Locais que receberão os corredores: João Mesquita e Pedro Amaral; General Glicério e Bernardino de Campos (sentido norte); XV de Novembro e Antônio de Godoy; Alberto Andaló; Bady Bassitt; João Bernardino de Seixas Ribeiro; Bernardino de Campos e General Glicério (sentido sul); avenidas Mirassolândia e Ernani Pires Domingues e rua João Mesquita e avenidas Philadelpho Gouveia Neto e Elias Tarraf

Miniterminais

Prazo de execução de oito meses a partir do fim do processo licitatório:

  • Av. Domingos Falavina (Shopping Cidade Norte) - Terminal no canteiro central formado por uma estação única, contemplando os sentidos Centro-bairro e bairro-Centro. Valor orçado de R$ 2,6 milhões
  • Rua Manoel Moreno (UPA Norte) - O maior terminal, formado por uma estação. Será implantado utilizando-se toda a extensão de uma quadra do Jardim das Oliveiras. Valor orçado de R$ 4,4 milhões

Prazo de execução de cinco meses a partir do fim do processo licitatório:

  • Av. Fortunato Vetorazzo - Localizado no canteiro central da avenida, será dividido em dois miniterminais, um no sentido Centro-bairro e outro no oposto. Valor orçado de R$ 1,7 milhão
  • Av. Brigadeiro Faria Lima - Um miniterminal em frente ao Hospital de Base no sentido Centro-bairro, e outro defronte ao teatro Municipal no sentido bairro-Centro. Valor orçado R$ 1,4 milhão
  • Av. Anísio Haddad - Um miniterminal em frente ao Estádio do Rio Preto Esporte Clube no sentido Centro-bairro e outro defronte ao Riopreto Shopping Center no sentido bairro-Centro. Valor orçado R$ 860 mil
  • Av. Potirendaba - Um miniterminal já existente, defronte ao Hipermercado Muffato, que será reformado para adequações às normas de mobilidade, acessibilidade e microdrenagem do entorno. Valor orçado de R$ 2,6 milhões

Complexo viário das avenidas Mirassolândia/Domingos Falavina

  • Valor: R$ 24,8 milhões
  • Previsão de conclusão das obras: início de 2020
  • O conjunto de viadutos vai interligar as vias Capitão Faustino de Almeida, Mirassolândia e Domingos Falavina, com seis alças às vias que dão acesso à região norte. Ele conta ainda com três pontes, projeto de acessibilidade e iluminação ornamental

Anel viário

  • Total: R$ 203 milhões
  • Tem extensão de 22 quilômetros e vai integrar as regiões periféricas, desafogando as vias centrais. Quando as obras terminarem, as rodovias que cortam a área urbana de Rio Preto - BR-153, Washington Luís e Assis Chateaubriand - estarão interligadas

1ª etapa

  • Valor: R$ 11,9 milhões
  • Previsão de conclusão: sete meses a partir da expedição da ordem de serviço
  • Obras no prolongamento da avenida Belvedere, perto da BR-153, construção de avenida entre a BR-153 e a avenida Danilo Galeazzi, prolongamento e alargamento da avenida Marco Costantini, interligando a Vila Madalena ao conjunto habitacional Rio Preto. Obras também entre a avenida José Prudêncio Drigo da Silva e o loteamento Parque Tecnológico e implantação de travessia sobre o córrego Borá

2ª etapa

  • Valor estimado: 22 milhões
  • Em licitação, as propostas serão abertas em 26 de abril

3ª etapa

  • A terceira e última etapa deve ser licitada em abril para as obras próximas ao Residencial Palestra, na rotatória existente na região e no Jardim Gabriela, e obras para avançar até a região da Vila Toninho, fechando todo o anel viário

Recapeamento

  • Valor: R$ 53,1 milhões
  • Previsão de conclusão das obras: segundo semestre de 2020

Falta conscientização

Não adianta o poder público investir nas necessárias melhorias no trânsito de Rio Preto - como o serviço de recapeamento - se os condutores não fizerem sua parte. Como o Diário já mostrou, das 184.977 multas de trânsito que os motoristas que trafegaram em Rio Preto levaram no ano passado, 70,5% são por excesso de velocidade, a maioria registrada quando foi atingida velocidade superior à máxima permitida em até 20%. Avançar o sinal vermelho e dirigir usando o celular também estão no "top 10" dos motivos para multas.

Além do que é responsabilidade do poder público, o secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, acredita que falta aos condutores conscientização. "É por isso que nós intensificamos neste ano o aspecto da educação. Estamos focando no Departamento de Educação do Trânsito, investindo bastante em ações, visitas a escolas. Estamos buscando as pessoas para que elas possam se conscientizar e praticar a direção defensiva", afirma.

Hernandes afirma que a velocidade está relacionada à gravidade dos acidentes. Um estudo da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), braço das Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que um pedestre tem menos de 20% de probabilidade de morrer se atropelado por um automóvel que circula a menos de 50 quilômetros por hora, mas quase 60% de chance de morrer se atingido por um veículo a 80 quilômetros por hora.

Além disso, quanto maior a velocidade, mais metros serão percorridos até o veículo parar após o acionamento do freio em caso de uma situação inesperada na vida. "Por isso já existem vários estudos que chegaram à conclusão que a velocidade máxima na cidade é 50 quilômetros por hora. Nós ainda temos avenidas de 60 quilômetros por hora. São Paulo é um exemplo, Rebouças, Consolação e em outras avenidas a velocidade máxima já é 50 quilômetros por hora", pondera Hernandes.

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