Diário da Região

10/11/2018 - 00h30min

MELHOR IDADE, MELHOR SEXO

Idosos de hoje estão sexualmente mais ativos que os de antigamente

Pessoas idosas estão fazendo mais sexo do que antigamente, e isso proporciona inúmeros benefícios tanto para o físico como para o emocional

Pixabay/Divulgação Para os idosos, o sexo ajuda a fortalecer a imunidade, diminuir dores e aliviar tensões
Para os idosos, o sexo ajuda a fortalecer a imunidade, diminuir dores e aliviar tensões

Se você é daqueles que ainda pensam que não existe sexo na terceira idade, está na hora de rever os seus conceitos. E mais: é melhor ir se preparando para ter uma vida sexualmente ativa quando se tornar uma pessoa idosa, investindo, por exemplo, na prática regular de atividade física e no controle do estresse.

São muitos os benefícios que a atividade sexual proporciona tanto para o físico como para o emocional, e eles se tornam ainda mais importantes com o avanço da idade. "A prática sexual ajuda a fortalecer a imunidade, diminuir dores e aliviar tensões", destaca a ginecologista Clícia Quadros, de Rio Preto.

Os idosos de hoje estão sexualmente mais ativos que os idosos de antigamente, e isso não apenas por causa da evolução da medicina, que disponibilizou uma série de tratamentos e medicamentos para homens e mulheres. "Não é só por causa do Viagra ou do Cialis que os idosos estão fazendo mais sexo. Houve uma mudança cultural muito significativa ao longo das últimas décadas. Antigamente, os casais chegavam à terceira idade focados nos papeis de pai e mãe. Com as mudanças comportamentais, esses casais continuam se vendo como homem e mulher, reconhecendo a importância do prazer sexual em suas vidas", comenta o psicólogo e terapeuta sexual Clóvis Ribeiro S. Neto.

Estudo feito pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, coloca em xeque a tese de que os idosos não tem interesse pelo sexo. Das mil pessoas ouvidas pelos pesquisadores, com idade entre 65 e 80 anos, 84% dos homens e 69% das mulheres disseram acreditar que o sexo é algo importante no relacionamento. Entre as pessoas de 65 e 70 anos que foram entrevistadas, 46% delas revelaram que têm uma vida sexual ativa. Esse percentual diminui com o avanço da idade: 39% na faixa dos 71 aos 75 anos e 25% entre aqueles que têm entre 76 e 80 anos.

Segundo a sex coach Nathalia França, ainda prevalece na sociedade o tabu de que o envelhecimento elimina a atividade sexual, quando, na verdade, o contrário é mais importante para o bem-estar do casal. "A intimidade entre os dois deve permanecer ao longo de toda a vida. A falta de desejo acaba afastando o casal, que passa a cultivar uma relação de amizade e não mais a de marido e esposa", alerta.

Para a psicóloga e sexóloga Ana Monachesi, a atividade sexual na terceira idade tende a ser um reflexo das outras fases da vida da pessoa. "O sexo para o idoso está muito relacionado à permanência do prazer ao longo da vida. Se o desejo e o prazer chegaram até a terceira idade, é porque eles foram bem equacionados anteriormente", pontua.

Vivência do prazer

Os especialistas ouvidos pela Revista Vida&Arte destacam que as representações do sexo são diferentes nas diversas fases da vida. "Na terceira idade, o sexo está muito ligado à reconexão da pessoa consigo mesma, entendendo como seu corpo reage e como o prazer se estabelece. Na juventude e na vida adulta, sexo e prazer estão muito relacionados à penetração. Na terceira idade, o sexo está mais ligado ao bem-estar que a pessoa pode proporcionar. É claro que existe a busca por essa relação sexual baseada na manipulação dos órgãos, mas o entendimento é diferente. Todo o contexto é importante, e não apenas a penetração. É algo mais ligado às sensações do que propriamente ao físico", diz Clóvis.

Já Ana ressalta que a terceira idade representa um momento muito particular no que se refere ao sexo. "O corpo tem uma resposta diferente e as necessidades também são diferentes. É um outro momento sexual na vida da pessoa, um momento em que a qualidade do sexo é mais importante que a frequência com que ele é feito."

O psicólogo e terapeuta sexual ainda sinaliza que o prazer proporcionado pelo sexo na terceira idade está muito ligado à autoestima. "Uma pessoa com 65 anos, por exemplo, ao descobrir que ainda pode ter orgasmo, pode ter prazer mesmo o corpo não sendo mais aquele dos 30 anos, ela se sente viva, se sente valorizada. Na minha opinião, esse é o maior benefício que o sexo pode proporcionar para a pessoa idosa", enfatiza Clóvis.

Libido e desejo

As inúmeras mudanças que ocorrem no organismo com o avanço da idade também envolve a libido, expressão usada para definir o impulso sexual de um homem e de uma mulher. No entanto, a libido não está diretamente ligada ao desejo, e há recursos para restaurá-la na terceira idade.

Segundo a psicóloga e sexóloga, a diminuição da libido feminina está relaciona às mudanças hormonais que ocorrem na menopausa, mas muitas mulheres a relacionam com a falta de desejo. "Desejo não pode ser confundido com libido. Uma mulher pode não estar ativa sexualmente, mas, se ela for excitada, seu corpo responderá. A reposição hormonal ajudará essa mulher a recuperar a libido perdida pela idade", explica Ana.

Além da libido, também há uma diminuição da lubrificação vaginal, o que pode gerar dor durante o ato sexual. "Tanto a questão hormonal como a lubrificação deve ser compartilhada com o ginecologista. A mulher tem que fazer essa queixa ao seu médico, e não achar que esses problemas estão relacionadas à falta de desejo."

Descartada a questão física, se as queixas permanecerem, o indicado é procurar ajuda de um sexólogo ou terapeuta sexual, pois a origem do problema pode estar no campo emocional. 

Já entre os homens, a questão hormonal não influencia tanto, sendo a ereção o maior obstáculo. Mais do que medicamentos que ajudam na ereção, é necessário ao homem mais estímulos durante o ato sexual. "O homem precisa ser mais estimulado para atingir o mesmo nível de excitação que ele conseguia mais facilmente em outras fases da vida. Ou seja, precisa de mais paciência, de mais carícias, de mais cumplicidade."

Para Ana, muitos homens fazem uso indiscriminado de remédios como Viagra, sem nenhum tipo de acompanhamento médico. "Essas medicações não são milagrosas. Elas atingem a excitação, mas não o desejo. Se o homem tem queixa de ejaculação rápida, por exemplo, não é o remédio que vai mudar essa situação. Um sexólogo pode ajudá-lo sem o risco do uso indiscriminado de medicamentos."

Idosos estão mais expostos a infecções sexuais

Pixabay/Divulgação Uso do preservativo é importante em todas as fases da vida
Uso do preservativo é importante em todas as fases da vida

Não foi apenas o número de idosos sexualmente ativos que cresceu nos últimos anos, os casos de IST (infecções sexualmente transmissíveis) e aids nesta faixa etária também aumentou - reflexo do descuido dos idosos com a prevenção, que tem no preservativo a sua principal arma.

"As doenças relacionadas ao sexo cresceram muito no público da terceira idade, principalmente casos de HIV (aids) e sífilis. A maioria dos idosos sexualmente ativos não tinha relações com mais de uma pessoa na juventude e na vida adulta, mantendo a intimidade com um único parceiro por um longo período de tempo. Quando iniciam um novo relacionamento, esses idosos deixam de lado o uso do preservativo, seja por receio ou vergonha", comenta a ginecologista Clícia Quadros.

A psicóloga e sexólogo Ana Monachesi ainda faz um alerta aos homens: o organismo continua a produzir espermatozoides mesmo na terceira idade. Ou seja, existe o risco de uma gravidez indesejada caso ocorra ato sexual com uma mulher em fase fértil.

O psicólogo e terapeuta sexual Clóvis Ribeiro S. Neto destaca ainda que, hoje, os relacionamentos estão muito mais mistos, com idosos mantendo vínculos afetivos com pessoas mais novas. Desta forma, segundo ele, o preservativo é essencial em todas as fases da vida.

Para se tirar mais proveito do sexo, os especialistas são unânimes: a prática regular de atividade física ao longo da vida, aliada a uma alimentação balanceada e controle do estresse, ajudará, e muito, quando a pessoa chegar à terceira idade. "A prática de atividade física é importante até para as pessoas mais novas. Hoje, há muitas pessoas sedentárias. No consultório, são muitas as queixas de um sexo insatisfatório entre quem ainda não chegou na terceira idade", avisa Clóvis. 

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