Diário da Região

04/08/2018 - 00h30min

Entrevista

Empresário conta como obteve sucesso na vida pessoal e profissional

Essa é a receita para o sucesso do empresário José Carlos Mattias, responsável por empreendimentos em Rio Preto e Fernandópolis

Johnny Torres O empresário José Carlos Mattias
O empresário José Carlos Mattias

Neto de italianos, o empresário José Carlos Mattias, 65 anos, responsável por uma série de empreendimentos em Rio Preto e Fernandópolis, vive hoje a tranquilidade de quem conseguiu atingir as metas estabelecidas na vida, sejam elas pessoais ou profissionais. Casado com Roseli Mattias há 40 anos, pai de três filhos e avô de seis netos, ele se dedica hoje à supervisão dos negócios, que têm à frente os gêmeos Dreison e Wilson Mattias.

"Eu venho preparando isso, empresarialmente e na vida familiar, para que hoje eu possa ter mais tempo para outras coisas - tempo para uma viagem com a mulher, para cuidar dos netos, para reunir a turma de domingo em casa com as crianças", conta ele, que iniciou sua trajetória no mundo dos negócios ainda jovem, na cidade de Fernandópolis, comandando uma livraria ao lado de um se deus sete irmãos.

E os valores da cultura italiana, trazidos pelos seus avós quando vieram ao Brasil e transmitido para seus pais, caracterizados por uma certa passionalidade quando o assunto é família e amigos, o acompanham até hoje. "O italiano é aquele negócio de ficar cuidando da família a vida inteira. Isso está no sangue, no DNA. O latino tem o sangue quente", diz ele, que trocou Fernandópolis por Rio Preto no ano 2000, em busca de um centro urbano maior para o filhos estudarem, assim como seus pais fizeram nos anos 1970, quando deixaram a vida rural em São João das Duas Pontes para fixar residência em Fernandópolis. "O meu pai, filho de italiano, tinha aquela cultura de que era preciso formar os filhos, dar condições para os filhos crescerem." 

V&A - Qual fator o senhor considera mais importante na consolidação de sua carreira no mundo dos negócios?

José Carlos Mattias - O que ajuda sempre é a formação, a base familiar que você tem. O meu pai era filho de imigrante, e ele manteve essa cultura trazida pelos pais dele da Itália. Apesar de, naquele tempo, a Itália estar passando por uma guerra, a cultura, a pessoa não perde. E isso é transmitido para os filhos. A gente, sem querer, é o reflexo daquilo, da cultura. E você leva isso consigo e procura transmitir para os filhos. O italiano é aquele negócio de ficar cuidando da família a vida inteira, que é diferente da cultura norte-americana e da cultura inglesa. Isso está no sangue, no DNA. O latino tem o sangue quente. Então, esse aspecto familiar é muito importante.

V&A - O senhor já teve a oportunidade de visitar o lugar onde seus avós nasceram?

JC Mattias - O local de onde eles vieram não, mas passei perto. No local de onde eles vieram, que é perto do Adriático, eu não fui ainda. É na província de Terno, que é o equivalente a um estado brasileiro.

V&A - Assim como o senhor trabalhou com seu pai, dois de seus filhos trabalham contigo hoje. Como é ter a família por perto nos negócios?

JC Mattias - Isso é bem da cultura italiana. Eu tenho uma filha, que é a mais velha, a Francine, e ela é médica. Seguiu a carreira da medicina, é endocrinologista e casada com um médico também. Meus gêmeos, o Dreison e o Wilson, já quiserem ficar nos negócios da família. Fizeram curso universitário, mas com essa finalidade. Eles estão comigo desde a década de 1990, quando começaram a ter condição de entender o mundo dos negócios. Vieram para o ramo de automóveis e, hoje, eles praticamente tomam conta de tudo. Eu fico mesmo só na supervisão. O italiano também gosta disso, de deixar o outro fazer as coisas. Para aprender a nadar, é preciso ir para a piscina. Na teoria é uma coisa, mas só quando a pessoa sente a água é que vai aprender a nadar. No mundo empresarial é a mesma coisa, se você não colocar a pessoa na frente do negócio, no front de batalha, ela nunca vai saber o que é essa realidade.

V&A - Não dá para ser centralizador no mundo dos negócios?

JC Mattias - Não pode ser centralizador porque a gente é mortal. Não sabemos o que nos é reservado, em que dia que partiremos. Então, tem que estar preparado para isso porque as empresas têm um dono, sim, mas elas são eternas, elas podem ficar. E isso é outra coisa que vem da cultura italiana: o empresário é um líder, o comandante de uma tribo, vamos assim dizer. Você forma a sua tribo, a sua equipe, e toma conta disso. É como se fosse a sua família. Nós formamos um time, um grupo, e vamos dar o sangue para aquilo como se fosse uma família só. Na verdade, você amplia a sua família quando se tem um negócio. Acho que é essa mentalidade que falta no Brasil. Antigamente, o cara tomava conta da equipe dele. Não dependia de governo. O italiano tinha uma lavoura de café, por exemplo, ele tinha os meeiros, os ajudantes, era tudo uma família. Famílias se agregavam de acordo com o que ele precisava e, ali, todo mundo convivia. Trabalhava junto, comemorava junto, fazia festa junto. Não tinha esse negócio de que um era o dono da fazenda. O parceiro era respeitado como fosse da família. Por isso que as coisas iam bem, as pessoas trabalhavam felizes. Não tinha vínculo trabalhista, o parceiro era como se fosse um sócio. E isso gerou crescimento, desenvolvimento familiar - até os casamentos nasciam entre esse pessoal que vivia ali. Misturava tudo no fim das contas.

V&A - O senhor tem medo da morte?

JC Mattias - Eu acho o seguinte: você tem que estar preparado pra tudo na vida. O meu pai falava sempre o seguinte: a estatística existe para mostrar que tem gente de um lado e tem gente de outro. Então ele falava, por exemplo, toma cuidado na estrada porque para passar de um lado para outro da estatística é muito fácil. Vivo ou morto é a mesma coisa, você está na estatística. Hoje, a expectativa de vida é de 75, 76 anos, e eu estou com 65. Então, se eu tiver que passar para o outro lado, preciso deixar as coisas preparadas para que essa passagem seja o menos traumática possível para quem fica. A gente não sabe o que vai acontecer, cada um acredita numa coisa. Então, você tem que estar preparado. É como diz aquele ditado, estar com a malinha pronta (risos), para que, se alguém chamar, ir embora tranquilo. A sucessão tem que estar pronta, estudada por cada um. Cada um precisa saber da sua responsabilidade, saber tomar conta, ter passado por isso para que, se amanhã você não estiver aqui, tudo possa seguir normalmente.

V&A - O senhor é daquelas pessoas focadas no cuidado com a saúde, seja do corpo ou da alma?

JC Mattias - Eu cuido do básico, dentro do normal. Faço os exames de rotina, mas nada que me deixe preocupado com isso o tempo todo, como se fosse um medo. Eu tenho a seguinte filosofia: o cara me convida para viajar não sei pra onde, para uma montanha, por exemplo. Eu pergunto a ele se algum ser humano já fez isso. Se já fez, então, é só saber como ele fez. É possível fazer. Agora, se ninguém fez ainda, eu posso escolher entre tentar fazer ou não. Acho que tem que fazer tudo na vida. E, pra isso, não pode ter medo, nem da morte nem de nada. Acho que temos que levar a vida sem preocupações exageradas, sem medo ou outra coisa que te impeça viver plenamente. Levar a vida numa boa, viver bem, sem atrito familiar, levando tudo dentro das leis. Meu pai também falava para respeitarmos tudo porque tudo que está aí, ou é bom ou alguém não conseguiu mudar. Respeitar a religião de todo mundo. Se está certo ou errado, faça aquilo que está certo dentro do normal, e tenha alguma coisa superior para respeitar. Senão a vida perde o sentido. E, na família, procure não fazer aquilo que você não gostaria que fizessem de ruim para você. Procure fazer tudo aquilo que você acha bom para os outros. E não só para a família, para os amigos, para todo mundo. Se a lei existe e você não concorda com ela, trabalhe para mudá-la, mas, enquanto ela existe, é para ser respeitada. Se você fizer isso na vida, seus problemas vão diminuir e muito, mas muito mesmo.

V&A - Neste ano, o senhor comemorou 40 anos de casamento. Qual a fórmula de uma relação estável em tempos em que os relacionamentos andam tão instáveis?

JC Mattias - Entre namoro e casamento são 47 anos. No casamento, o que é preciso fazer? Todo dia tem que fazer como se ainda estivesse namorando, como se estivesse conhecendo a mulher naquele dia. Você está querendo conhecer uma mulher, o que você faz? Tenta conquistá-la. Então, se você está com ela desde a hora que se levanta, não pode perder o foco da conquista. Por exemplo, você já deu flores para sua mulher fora de datas comemorativas? Um presente fora da data? Dar presente em datas comemorativas é fácil, todo mundo dá, e não se pode esquecer delas, é uma tradição. Mas tem que conquistá-la todo dia. E isso vale para tudo na vida, para a sua profissão, para as coisas que você gosta de fazer. Todo dia tem que cultivar esse amor, agradecer por isso. Esse é o segredo da vida. Às vezes, você reclama que aquilo com que trabalha não serve para você. Trabalhe como se fosse a coisa mais importante do mundo, se dedique ao máximo, respeitando colegas, a hierarquia, tratando bem as pessoas que você se relaciona, porque tem pessoas vendo. Um comportamento inadequado deprecia, mas um comportamento adequado aprecia, faz você valer mais. Na vida é assim, seja no relacionamento amoroso ou no profissional. O Og Mandino (escritor italiano) fala o seguinte: se alguém te pagar para andar uma milha com ele, ande duas. Sempre dê mais do que esperam de você. Sempre dê mais do que um filho espera de você. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje. Faça, demonstre aquilo que você está sentindo. A vida vai sorrir pra você. É a lei do retorno.

V&A - O senhor é bem diferente daquele estereótipo do empresário estressado. Como é manter essa tranquilidade em um universo tão competitivo? 

JC Mattias - Hoje, tudo está delegado. Tem administradores, tem os meninos na função do dono, me substituindo como diretores. Eu fico como se estivesse em um conselho. Fico na supervisão de tudo. Já tive períodos bem intensos de trabalho. Tudo na vida tem que acontecer no momento certo. Um jogador de futebol não vai começar a jogar aos 37 anos; ele vai jogar quando tem idade certa para isso, enquanto o seu físico aguenta. Tem que investir no momento certo - adquirir, guardar, pois o ditado fala que "acenderá de dia a luz que te iluminará a noite". Eu já estou com 65 anos. E eu venho preparando isso, empresarialmente e na vida familiar, para que hoje eu possa ter mais tempo para outras coisas - tempo para uma viagem com a mulher, para cuidar dos netos, para reunir a turma de domingo em casa com as crianças. Na minha casa, por exemplo, tem um parque de diversão. Para pegar peixe, tem que ter isca. Para ter a família dentro de casa, tem que usar a isca (risos). O almoço de domingo como os italianos faziam. Eu tenho pula-pula, balanço, piscina de bolinha e o que a modernidade exige em termos de tecnologia. Se não, vou estar por fora. Tenho seis netos, o mais velho está com 8 anos.

V&A - Qual o mundo o senhor gostaria de deixar para seus netos?

JC Mattias - Acho que o extrato dessa conversa que tivemos. O que é o mundo hoje? A tecnologia vem para acrescentar, vem para fazer com que fique mais fáceis as coisas. Mas o lado humano a tecnologia não muda. Então, tem que usar toda essa modernidade para facilitar o lado humano. Que tudo seja digital, mas que não esqueça que a esposa também é "touch" (tocar). Toque na esposa, toque no filho, toque no neto. Você toca na tela de um celular, na tela de um computador. Se evoluiu tecnologicamente, tem que evoluir humanamente. Toque na pessoa. É esse contato humano que estamos esquecendo hoje. O vizinho, o amigo. Esse mundo mais humanizado é o que eu quero para os meus netos.

V&A - O senhor se considera uma pessoa feliz, uma pessoa realizada?

JC Mattias - A realização depende da meta que você coloca para a sua vida. Por exemplo, se você colocou uma meta muito grande, muito além do que você é capaz, você vai se frustar sempre. O negócio é ter uma meta pequena porque, se você atingir 130% dela, vai se sentir realizado. O importante é não fixar uma meta maior daquela que você pode realizar. Você vê, por exemplo, a Croácia comemorando um segundo lugar na Copa do Mundo. A meta não era ser o primeiro, e eles chegaram muito além do que podiam. Então, na vida é a mesma coisa. Não faça metas inalcançáveis porque você vai se frustar sempre. Faça meta dentro daquilo que você tenha capacidade para realizar e você vai ter sucesso. E sempre dê mais do que esperam de você.

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