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13/11/2017 - 23h18min / Atualizado 14/11/2017 - 11h06min

SANDUÍCHE DE ASFALTO

Erro de projeto deixa recapeamento R$ 10 milhões mais caro

Recapeamento sobre camadas cria valetas de até 20 centímetros em guias do Centro e da Boa Vista

Guilherme Baffi 13/11/2017 Vanessa Cornélio mostra a dificuldade para se locomover  na rua Delegado Pinto de Toledo, na Boa Vista
Vanessa Cornélio mostra a dificuldade para se locomover na rua Delegado Pinto de Toledo, na Boa Vista

Por conta de um erro no projeto inicial no Plano de Mobilidade Urbana, a Prefeitura de Rio Preto terá de gastar mais R$ 10 milhões - um quinto dos R$ 53 milhões totais do projeto - para poder erguer as calçadas e corrigir as valetas deixadas na guia entre a calçada e a rua em diversos pontos.

O projeto inicial previa que a empresa colocasse asfalto sobre a rua já existente, porém os responsáveis esqueceram que isso formaria degraus até mesmo nas rampas de acessibilidade.

Em alguns trechos, como na rua Pedro Amaral, o desnível chega a vinte centímetros de profundidade, o que causa transtorno até para veículos. O Diário apontou o problema em maio deste ano, mas nenhuma atitude foi tomada. Pelo contrário, as obras prosseguiram causando ainda mais inacessibilidade.

O problema é ainda mais grave para pessoas com dificuldades de locomoção. A atriz e performance Vanessa Cornélio, 40 anos, é cadeirante e mesmo com toda a habilidade que tem para manusear sua cadeira de rodas motorizada não consegue sozinha cruzar o meio fio da rua Marechal Deodoro da Fonseca entre as ruas Campos Sales e Major Batista França.

O serviço de recapeamento deixou a rua mais alta e uma valeta entre a rua e a calçada. "Não tem nenhuma acessibilidade. O rebaixamento das calçadas já era ruim, agora ficou pior", disse.

Moradora da Boa Vista ela inclusive já teve problemas por conta do desnível da sarjeta. "Outro dia a roda da cadeira ficou presa, não ia para a frente e nem para trás. Tive de ficar no sol esperando alguém para me ajudar. A situação do meu bairro é bem triste", afirmou.

O projeto de mobilidade urbana foi orçado em R$ 53 milhões, de acordo com o contrato firmado na gestão do ex-prefeito Valdomiro Lopes, e prevê o recapeamento de 80 quilômetros de asfalto.

A reportagem constatou que nas principais ruas do Centro e da Boa Vista, onde ocorreram as obras, a rua ficou mais alta e provocou o problema de acessibilidade. De acordo com a Secretaria de Obras, será preciso erguer a calçada para corrigir o problema, o que deve custar R$ 10 milhões e gerar ainda mais incômodo aos comerciantes.

A Prefeitura informou que notificou a ATP Engenharia, empresa localizada em Recife e responsável pelo projeto, sobre o erro, mas que ainda não sabe como vai pedir o ressarcimento dos valores. De acordo do administração municipal, a Constroeste, executora da obra, apenas seguiu o projeto inicial feito pela ATP.

"A Prefeitura de Rio Preto notificou a empresa responsável pelo projeto inicial e foi elaborado um novo projeto para alterar as guias. Esse projeto foi apresentado à Caixa Econômica Federal para reprogramação financeira da obra, porém a Secretaria de Obras ainda não foi informada sobre o resultado da reprogramação. Após a autorização da Caixa a Secretaria de Obras irá se reunir para decidir quais os procedimentos poderão ser adotados para o ressarcimento dos valores", informou em nota.

A previsão é de que a autorização seja concedida em dezembro. A reportagem procurou a ATP Engenharia, mas nenhum dos responsáveis foi encontrado na tarde desta segunda-feira, dia 13. O Diário também procurou, por meio da assessoria de imprensa, o ex-prefeito Valdomiro Lopes, mas ele não foi localizado. A Constroeste não se manifestou até o fechamento desta edição.

Como seria o recapeamento ideal

  • Rodo adaptado tritura o asfalto antigo com defeito
  • Máquina retroescavadeira passa para retirar o material triturado
  • Terraplanagem do solo
  • Colocação do novo asfalto
  • Operários fazem o acabamento do serviço próximo às guias de sarjeta
  • Trabalhadores refazem a sinalização de solo

Correto é refazer asfalto

Engenheiro especialista em trânsito da USP São Carlos, José Bernardes Felex afirma que o correto para que o serviço seja bem feito e o asfalto dure é retirar a massa asfáltica antiga. "Metade dos buracos de rua necessita de reconstrução da base. Isso significa que se colocam asfalto em cima do já existente em um ano essa rua já vai ter buraco de novo, basta chegar o período de chuvas."

De acordo com ele, em uma obra de recapeamento é preciso pensar em todo o conjunto e não somente na rua. "Usualmente os técnicos e políticos querem só ver a superfície onde passa o automóvel e não querem mais saber do resto. Nessa hora esquecem do pedestre, da pessoa com dificuldade de locomoção - cadeirante, grávida, idoso, pessoa com a perna quebrada," disse Felex.

O especialista afirma que mesmo para colocar o asfalto em cima de um já existente é preciso usar técnicas para que o serviço seja bem feito. "Tem de usar um material que faça a ligação de um asfalto com outro e depois fazer a compactação. O problema é que nem sempre a base suporta esse serviço", afirmou o engenheiro. "Confundem gastar pouco com economia. Depois vai ter de gastar de novo". (ER)

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