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13/11/2017 - 18h26min / Atualizado 13/11/2017 - 23h07min

CONSTRANGIMENTO

Fiscais confundem aparelho auditivo com ponto eletrônico no Enem

Estudante de Monte Aprazível relatou constrangimento enquanto fazia a prova no segundo dia de exame

Arquivo Pessoal Guilherme de Oliveira Maset, que alega constrangimento durante o Enem
Guilherme de Oliveira Maset, que alega constrangimento durante o Enem

No mesmo ano em que o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil", um estudante de 18 anos, deficiente auditivo, relatou constrangimento ao fazer a prova no último domingo, 12, em Monte Aprazível. O motivo foi o fato de o aparelho auditivo usado pelo jovem ter sido confundido com um ponto eletrônico.

Guilherme de Oliveira Maset pretende cursar engenharia da computação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e esta é a terceira vez que presta o exame. Diferentemente dos anos anteriores, quando fez a prova em uma sala separada, com outros alunos portadores de necessidades especiais, neste ano, Guilherme fez o exame em uma sala comum.

Ao retornar de uma ida ao banheiro, notou que três fiscais da sala conversavam entre si, gesticulando e apontando para os próprios ouvidos. "Ali eu já notei que tinha algo errado e que devia ser comigo", afirmou Guilherme. O estudante relata que depois que se sentou, um quarto fiscal entrou na sala onde era aplicada a prova e começou a rondar os alunos. "Fiquei com medo, constrangido, me perguntando se havia feito algo errado", disse.

Assustado com a situação, o estudante, que ainda tinha 40 minutos para realizar a prova, resolveu as últimas 20 questões apressadamente. "Eu queria sair logo, tive medo de ter algum problema e que não deixassem eu terminar a prova. Então fiz as últimas questões de qualquer jeito para poder ir embora", disse.

Ao entregar a prova, Guilherme foi informado que havia um "problema" com sua inscrição. Ele foi levado a uma sala para falar com o coordenador da aplicação da prova. Foi então que o estudante foi informado que havia uma denúncia de que ele estaria utilizando um ponto eletrônico - dispositivo utilizado para passar as respostas da prova aos candidatos, o que é crime.

O estudante disse que tentou se explicar, tendo de retirar o aparelho auditivo e mostrar ao coordenador, tanto o objeto quanto sua ficha de inscrição, em que consta a necessidade de utilizar o dispositivo. Ele também apresentou o laudo médico. "No meu papel de inscrição, já estava deferida a minha deficiência auditiva e a necessidade de usar o aparelho", disse Guilherme.

Para o jovem, a falha é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação da prova, que deveria tê-lo deixado em uma sala separada, com outros portadores de necessidades especiais. "Esse constrangimento todo poderia ter sido evitado".

Guilherme considerou irônica a situação que ocorreu com ele justamente quando o tema da redação do Enem aborda os desafios para a formação educacional de surdos no Brasil. "É um tema difícil de ser discutido e, enquanto o Inep propõe um tema desses, também se mostra despreparado para lidar com isso", disse o estudante.

Boletim de ocorrência

A empresária Eliana Maset, mãe de Guilherme, procurou a Polícia Civil nesta segunda-feira, 13, para registrar boletim de ocorrência contra o coordenador responsável pela aplicação do Enem em Monte Aprazível. Segundo ela, ao procurar o homem em busca de respostas sobre o que houve com o filho, a empresária foi ofendida, chegando a ser chamada de "sem vergonha".

Eliana considerou desnecessária a exposição do jovem durante a realização do exame e disse que não havia motivos para o constrangimento. "Ele estava com os documentos necessários em mãos, então foi muito despreparo", afirmou a mãe.

Procurado pelo Diário por e-mail e telefone nesta segunda-feira, o Inep não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta edição.

Para entrar na faculdade desejada, Guilherme terá de somar ao menos 778,49 pontos, que foi a nota de corte para o curso de Engenharia da Computação UTFPR no ano passado. O gabarito oficial do Enem será divulgado na próxima quarta-feira, 15, e o resultado do exame vem a público no dia 19 de janeiro de 2018.

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